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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

É POSSÍVEL VIVER SANTIDADE NA POLÍTICA!

É POSSÍVEL VIVER SANTIDADE NA POLÍTICA!

Caros leitores e eleitores, “Refletindo...” volta novamente ao assunto sobre a política, até porque já estamos em plena campanha eleitoral para as prefeituras municipais das grandes e pequenas cidades – municípios.  É um tempo de refletir é tomar decisão consciente, porque ela implicará no destino dos municípios pelo menos por quatro anos. Mas, ao meu entender não basta só os eleitores tomar as devidas cautelas para uma decisão “acertada”, é preciso que os que se apresentam como candidatos a prefeitos ou vereadores sejam pessoas íntegras.
Fiquem atentos os incautos para o fato de que, não se fica um homem ou mulher qualificado, isto é “bonzinho, santo, cheios de virtudes franciscanas, vicentinas, carismáticas, etc.” de hora para outra. Santidade é uma vida centrada diariamente em cristo. Também, não se fica um católico ou evangélico qualificado, isto é convertido só no período eleitoral. O que observamos é nessa época de eleição um corre-corre as igrejas de indivíduos que durante suas vidas viveram como se elas – igrejas - não existissem e agora se apresentam com “cara de anjos”, para sensibilizar os fiéis. Os famosos convertidos da santa eleição.
A santidade trata-se da separação e renúncia daquilo que é impuro, mau e profano, desonesto, pecaminoso dedicando-se a uma vida de devoção e consagração à Deus. Para nós cristãos, viver uma vida de santidade significa abdicar de práticas consideradas abomináveis diante de Deus, e comprometendo-se com tudo aquilo que e tido como "santo", isto é, no sentido de ser honesto, limpo, louvável, correto, benigno e etc. Uma grande maioria dos nossos candidatos precisam se qualificar nesse sentido, como seres humanos bons, honestos e morais. Precisam buscar na fé vivida seja através do cristianismo ou de outras religiões encontrar Deus, e com Ele viver seu dia a dia, pois o homem que não vive comunhão com Deus e não o carrega no coração vira “bicho”. E bicho meus amados, vive segundo seus instintos animalescos. Aliás, os políticos não precisam ser “santos”, mas precisam ser humanos, filantropos, precisam cultivar a caridade no coração, pois ela é a única virtude que carregamos para a eternidade.

Quero lembrar aos nossos candidatos que, existe na Igreja um santo, proclamado Padroeiro dos Governantes e dos Políticos que soube testemunhar até ao martírio a dignidade inalienável da consciência. Dele emana uma mensagem que atravessa os séculos e que fala aos homens e mulheres de todos os tempos dessa dignidade da consciência que deve permear a vida dos nossos governantes e políticos. Esse santo é chamado de São Tomaz Moro, que chegou a pensar em ser um religioso vivendo por quatro anos num mosteiro, mas desistiu. Aos vinte e dois anos, já era doutor em direto e um brilhante professor. Como não tinha dinheiro sua diversão era escrever e ler bons livros. Além de intelectual brilhante tinha uma personalidade muito simpática, um excelente bom humor e uma devoção cristã arrebatadora. Como eu disse anteriormente, ele tentou tornar-se um religioso “franciscano”, mas sentiu que não era o seu caminho. Então, decidiu pela vocação do matrimônio. Casou-se, teve quatro filhos, foi um excelente esposo e pai, carinhoso e presente. Mas sua vocação ia além, ela estava na política e na literatura. 
No ano de 1529, Tomás Moro era o chanceler do Parlamento da Inglaterra e o soberano era o rei Henrique VIII. Mesmo entranhado no poder real Tomás Moro nunca se afastou dos pobres e necessitados, ele regularmente os visitava para melhor atender suas reais necessidades. Sua casa sempre estava repleta de intelectuais, mas também de pessoas humildes, preferindo a estes mais que aos ricos. Ele evitava a todo custo o envolvimento com a vida sofisticada e mundana da corte. Era muito admirado e amado por sua esposa e seus filhos, pelo caráter, pela honestidade e pelo bom humor, que lhe era peculiar em qualquer situação. Ao longo de toda a sua vida, foi um marido e pai afetuoso e fiel, cooperando intimamente na educação religiosa, moral e intelectual dos filhos.

Ele foi martirizado no meio de uma grande controvérsia, quando o rei Henrique VIII tentou desfazer seu legítimo matrimônio com a rainha Catarina de Aragão, para casar-se com a cortesã Ana Bolena. Isso envolveu a Igreja, a Inglaterra e boa parte do mundo, fato que contrariou todas as leis da Igreja que se baseiam no Evangelho e que reconhece a indissolubilidade do matrimônio. E para fazer a vontade do rei, o Parlamento Inglês curvou-se e publicou um documento tido como “Ato de Supremacia”, que proclamava o rei e seus sucessores como chefes temporais da Igreja da Inglaterra. Diante disso, o rei mandou prender e matar todos seus opositores. Entre eles estavam o chanceler Tomás Moro e o bispo católico João Fisher, as figuras mais influentes da corte. Os dois foram decapitados: o primeiro foi João, em 22 de junho de 1535, e duas semanas depois foi a vez de Tomás, que não aceitou o pedido de sua família para renegar a religião católica, sua fé e, ainda, fugir da Inglaterra. Morreram por não concordar com os “conchavos da corte” e manter a dignidade das suas consciências.  Ambos foram canonizados na mesma cerimônia pelo papa Pio XI, em 1935, que indicou o dia 22 de junho para a festa de ambos, e o saudoso papa João Paulo II, no ano 2000, declarou são Tomás More “Padroeiro dos Políticos”. Portanto senhores candidatos, exemplos e testemunhos de coerência política e dignidade de consciência há, basta segui-la.

Lembrem-se senhores candidatos, quando o homem ou a mulher prestam ouvidos aos apelos da verdade, sua consciência será guiada com segurança e consequentemente os seus atos são norteados para o bem. É precisamente por causa do testemunho de vida que evoquei nesta reflexão São Tomás Moro, (nome sugestivo nesse tempo da Lava Jato) que derramou o seu sangue em favor da verdade sobre o poder e os conchavos na corte. Ele deve ser para os que pleiteiam cargos político um exemplo imperecível de coerência ética e moral diante do sofrimento do nosso querido povo. Mesmo que não seja você cristão, ainda que esteja fora da Igreja católica, mas que se sente chamado a guiar o destino da nossa cidade faça da sua vida uma fonte de inspiração, para que tenhamos uma política que visa não as benesses dos seus mandatários, mas tenha como termo o serviço da dignidade da pessoa humana.
Portanto, é possível viver santidade na política!
Paz e bem!
Diác. Misael da Silva Cesarino


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

COORDENAR É UMA TAREFA DIFÍCIL!

COORDENAR É UMA TAREFA DIFÍCIL!

Na Igreja de Jesus, todos os membros são fundamentalmente iguais em dignidade, distinguindo-se entre si pelo serviço que prestam à comunidade (cf. LG. 32). Estes membros são Bispos, Presbíteros, Diáconos, Religiosos e Leigos. Assim, para continuar a obra do Senhor neste mundo, há na Igreja funções eclesiais privadas e públicas, hierárquicas e laicais, ordinárias e extraordinárias. Porém, numa relação de cooperação e de coresponsabilidade e entre todos. Daí que a corresponsabilidade afeta não só a hierarquia mas a todo o povo batizado. Todos somos Igreja. Ser igreja é a forma de ser cristão comum a todos os batizados, assim  como também o discipulado e o mandato missionário pertence a todos nós.
Portanto, Servir ao Senhor Jesus Cristo é um enorme privilégio para qualquer católico batizado, mas servi-lo como um Coordenador de Pastoral, seja ministro ordenado ou não é muito mais. Muitas pessoas em nossas comunidades eclesiais pensam que exercer o ministério de coordenação pastoral seja no ministério laico ou ordenado é tarefa fácil. Talvez pensem assim, porque elas não entendem a complexidade do cumprimento de tão difícil tarefa.
Ser um coordenador de pastoral é muito mais que ser um executor de tarefas eclesiais... Ser Coordenador é ter alma e coração de pastor, é sentir paixão pelas almas, aquelas que estão próximas e as que estão afastadas. É desejar a qualquer custo salvação do outro de forma tão intensa, que nos leve à atitude missionária e solidária de repartir com ele o tesouro encontrado (Jesus), pois “Todos os homens são chamados a pertencer ao Povo de Deus” (LG. 13).
Ser Coordenador de Pastoral é chorar com os que choram, é dar o ombro para o entristecido, é ser a companhia do solitário, é ouvir a mesma história uma porção de vezes. Ser Coordenador é não ter outro interesse senão o da vida no Senhor Jesus Cristo.
Ser Coordenador é não se envolver nos negócios e maquinações maléficas deste mundo, buscando a massagem para o ego, a fama e a posição diante dos homens. É saber dizer não mesmo quando o coração disser sim. É não ir à casa dos ricos em detrimento dos pobres e não dar atenção demasiada para uns, esquecendo-se dos outros. É não ficar do lado dos jovens, em detrimento dos adultos e vice-versa.
Ser Coordenador é não envolver-se em demasia com as pessoas, ao ponto de se perder a linha divisória do amor e do respeito, do carinho e da disciplina. Ser Coordenador é revestir-se de um espírito abnegado, dividir o tempo, compartilhar o amor, exortar os insubmissos, confrontar os rebeldes, consolar os que sofrem.
Ser coordenador é esmerar-se na leitura orante da Palavra de Deus, dedicar tempo a preparação de estudos e reflexões sobre a Palavra. Ser Coordenador é defender sempre a doutrina e o magistério da Igreja protegendo-os de falsos ensinamentos, mestres e profetas.
Ser coordenador é ter espirito de unidade, ainda que em situação adversa. Ser Coordenador é manter um estreito vínculo de comunhão com seu Pároco, vigário e diácono. Ser Coordenador é em todo tempo, a todo momento e a todo custo através de palavras, atitudes e comportamento defender sua Igreja, sua Comunidade e seus pastores.
Ser Coordenador é saber lidar com elogios, mas também com as pedradas, afagos e injustiças, beijos e descasos. Ser Coordenador é entender a todos sem ser compreendido, é aquele que deve perdoar, mas quando erra ao invés de ser perdoado é o primeiro e único a ser condenado.
Ser Coordenador é glorificar a Deus pelas bênçãos conquistadas pelos irmãos, e chorar pelas perdas irreparáveis dos que conosco convivem. Ser Coordenador é saber celebrar a vida e a morte, é ter palavras de conforto e consolo em meio ao sofrimento alheio.
Ser Coordenador é saber ouvir com paciência as lamúrias dos que gemem, é aconselhar sabiamente os que se encontram confusos. Ser Coordenador é ser um amigo próximo e companheiro.
Ser coordenador é assumir uma atitude de não tomar parte “na roda dos escarnecedores”, dos difamadores”, mas orar nos momentos difíceis da sua comunidade. Ser Coordenador de Pastoral é uma bênção, mas com certeza não é uma missão fácil!
Ser coordenador é entender que a Igreja é composta de santos e pecadores, e que temos cristãos carnais e espirituais. Enfim, temos todo tipo de gente, boa e ruim, e tudo isso para o Coordenador de Pastoral cuidar. E, isso não é tarefa fácil. Então para conseguir coordenar essa “Arca de Noé” o Coordenador de Pastoral tem que ter um coração misericordioso, muito amor, prudência, paciência, discernimento, etc. Pensemos nisso!

Diác. Misael
No dia de Santa Clara

11/08/2016

sexta-feira, 11 de março de 2016

O SAPO BARBUDO E A TARTARUGA ADORMECIDA.

Qualquer semelhança é mera coincidência!

Conta-se que um dia um "sapo barbudo" tornou-se rei de um lago azul, cercado por lindas matas verdejantes, sobe um céu estrelado, onde tudo se encontrava em ordem e progresso, após os habitantes daquele lago terem passado por terríveis ataques de "gafanhotos verdes", que causava terror e pânico. 
Conta-se que um determinado dia houve um grito de liberdade no lago e os "gafanhotos verdes" abandonaram o lago e seus habitantes puderam circular pelo mesmo com muita liberdade e sem medo. Foi após o período dos "gafanhotos verdes", que o "lago azul" que o trono do "lago azul" foi assumido por um "carcará de bigode", que precisou todos os dias do seu reinado cunhar moedas de ouro para que o já sofrido habitantes do lago pudesse comprar o pão de cada dia, eis que passado alguns anos, ele foi posteriormente substituído por um "tucano inteligente" que com maestria reinou no lago azul por longo oito anos.
Dizem que o "Tucano inteligente" arquitetou com os membros da realeza da sua côrte um "plano real" de recuperação do poder de sobrevivência dos habitantes do "lago azul", e dizem até hoje que o "plano real" foi um sucesso, colocando o "lago azul" em lugar de destaque entre os demais "lagos do mundo". 
Foi então que um determinado dia o lago azul acordou sob o reinado de um "sapo barbudo"  muito feio, que foi aclamado rei pelo povo. Este sapo aproveitou o "plano real" do tucano inteligente, e com ele fez distribuição de benefícios a uma determinada classe de moradores do "lago azul", que a ele ficaram eternamente agradecidos.
Passaram-se quatro anos e houve uma epidemia de "bobeira" em uma grande parte nos habitantes do reino do "lago azul", e o "sapo barbudo" oportunista como era continuou o seu reinado. Um belo dia ele já não podendo mais cuidar do seu reino, abdicou-se do trono em favor de uma "tartaruga adormecida". 
Conta-se que a "tartaruga adormecida" fez uma grande lambança no reino daquele belo "lago azul". Dizem que a lambança foi tão grande que os habitantes, começaram adoecer e morrer, a passar fome, pior, não tinham mais alegria, e nem perspectiva de dias melhores, pois o "lago azul" havia transformado num abismo aterrorizante. O "lago Azul" que era pujante, varonil e que a noite recebia as benção do cruzeiro do sul, passou a ser saqueado por um antro de aves de rapina que levaram a riqueza daquele reino. 
A "tartaruga adormecida" a exemplo do "sapo barbudo" não viu nada, não sabia de nada. Diz a história que um dia apareceu um "tubarão mouro" no "lago azul" e começou a fazer justiça em favor dos habitantes do lago, e com seus dentes afiados começou a mutilar as "aves de rapinas", quebrando suas pernas, suas azas, enfim deixando-as mutiladas e incapacitadas para voar. Esse "tubarão mouro" tocou um terror tão grande na região do lago, que as bicharadas se pelavam de medo dele.
Mas, aconteceu uma das aves feridas, com muito medo de ser depenada pelo "tubarão mouro", pediu-lhe clemência, e prometeu contar para o "tubarão mouro" que havia uma "jararaca estrela" que já há muito tempo era a comandante dos ataques das aves de rapinas no "tesouro negro" do  "lago azul", e que esta "cobra" já havia sido o soberano dele. E o "tubarão mouro" mais que depressa foi atrás da "jararaca estrela"  e qual foi a sua grande surpresa, encontrou um "sapo barbudo" que acuado apanhado pelo "tubarão mouro"correu pedir proteção para a "tartaruga adormecida",  que até os dias de hoje governa o "lago azul". E a história continua...

Misael  da Silva Cesarino

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O CATÓLICO GENÉTICO


O evangelho de São João descreve que muitas pessoas estavam seguindo Jesus no inicio do seu ministério. Diz que “Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia. Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos”. (Jo 2, 23-24)

A pergunta que não quer calar é, por que Jesus não se fiava neles? Porque Ele sabia que aquelas pessoas acreditavam Nele com as mentes e não com os corações. Isso nos faz crer que existe uma grande diferença entre uma fé intelectual, uma fé genética e a conversão do coração, da conversão total que salva a alma cristã. Há muitas pessoas que se tornaram “cristãos católicos genéticos”, isto é, por uma “fé” transmitida por tradição de família, uma “fé” inconsequente, uma “fé” que nunca os levaram a uma autentica conversão ao Senhor. Ser cristão implica em uma mudança, um modo novo de viver. Implica ser discípulo de Jesus! E o discípulo é uma pessoa que segue os ensinamentos de um mestre.

O ser humano alimenta em si uma demanda por mudanças, por transformações. A inércia é geralmente um sinônimo de não vitalidade. E assim acontece na fé cristã, quando passamos pela transformação, pela conversão ao Senhor, nos tornamos vivos em Cristo, nos tornamos seus discípulos. Como parte da teologia cristã, a conversão nos faz melhor, vivendo uma fé mais autêntica, mais dinâmica. Ser cristão hoje, aliás, sempre, exigiu uma mudança no modo de “ser e viver” do batizado, pois, se o seu “ser” cristão for igual ao proceder dos descrentes, é necessário duvidar da fé que se vive.

Para viver um cristianismo sadio, uma fé cristã autentica é preciso existir uma conversão da vontade. É preciso existir uma autentica determinação de seguir e obedecer ao Senhor Jesus. Quando há uma conversão verdadeira aos pés do Senhor, o próprio Espírito Santo faz nos perceber que somos pecadores, Ele fará com que nossa fé seja dirigida ao Cristo que morreu em nosso lugar. Quando abrimos nosso coração ao Espírito de Deus, realiza-se em nós o milagre da vida nova. Tornamo-nos verdadeiramente pessoas moralmente correta e invadidos pela natureza divina. A nossa transformação em um homem espiritual não significa que não haja impacto em toda nossa amplitude humana, pois o homem espiritual é sempre um homem posto no tempo e no espaço, condicionado e condicionante de relações pessoais e materiais.

Se a conversão é autentica posso continuar a amar o que eu amava antes, porém as razões para amar serão diferentes, pois o convertido amará o bem que um dia detestou e detestará o pecado que um dia amou. O homem novo tem seus sentimentos com relação a Deus mudado, pois se no passado negligenciava Deus, agora mergulha numa completa reverencia à Ele.

Acredito que não basta ser um católico, não basta ser batizado, não basta ser de missa diária, se não houver um coração convertido. O próprio Senhor disse que para chegar ao céu é preciso se converter, transformar. Não sou eu que digo, mas o Senhor quem diz:Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus”. (Mt 18,3) É de grande significado que Jesus não tivesse dito às crianças para imitarem os seus discípulos, mas aos seus discípulos para que imitassem as crianças. Isso porque pela fé inocente, todos têm uma oportunidade de ser salvo, desde o débil mental ao intelectual, mas desde que se converta de coração ao Senhor Jesus

Muitos cristãos católicos se dizem religiosos, mas, não entendendo a graça, vivem numa relação de mérito e retribuição com Deus, vivendo uma religiosidade da troca e do interesse. Isso gera a apatia. A apatia, por sua vez, cria esse marasmo da fé, onde as verdades do Evangelho, os Sacramentos, não produzem senso de missão e propósito, de modo que o católico apático vive "empurrando" Cristo com a barriga e é inoperante na missão do Reino.

Esses cristãos católicos genéticos têm que se desenvolver, pois é a vontade de Deus que eles se desenvolvam com plenitude e se tornem maduros em Cristo. Seria contra a vontade de Deus eles continuarem bebês na fé, uns anões espiritual, 2º Pedro, 3,18, diz que devemos crescer. Mas, quando cresce e o coração se abre a Cristo, ele lê as Sagradas Escrituras apaixonado e impactado pela mensagem impressionantemente surpreendente do Deus que se entregou na cruz em amor a nós. A contemplação de Cristo eucarístico é como o espelho que contempla e reflete. E quando se contempla o verdadeiro Cristo não poderá permanecer na incredulidade, no engano ou na apatia. 

Diz - se que certo fazendeiro trouxe um porco para dentro de casa. Deu-lhe um belo banho, poliu seus cascos, passou perfume em seu corpo, amarou uma fita com uma medalha em seu pescoço e o colocou na sala de estar. O porco parecia muito belo. Parecia até aceitável à sociedade e para os amigos que o visitavam. Após o banho estava tão fresco, cheiroso e limpo, que dava gosto vê-lo. Tornou-se um animal de estimação, muito agradável e amigo, por alguns minutos. Mas, assim que o fazendeiro abriu a porta da sala, o porco fugiu e pulou na primeira poça de lama que encontrou. Por quê? Porque no fundo continuava a ser um porco. Sua natureza não tinha mudado. Mudara-se exteriormente, mas não interiormente.  Mas se pegarmos um carneiro e fizermos o mesmo com ele, depois soltá-lo no quintal, ele fará tudo o possível para evitar a lama. Por quê? Porque sua natureza é de carneiro.

Assim, é preciso tomemos cuidado para não ser igual a um católico genético, aquele pode até ter aparência de bom cristão, viver intensamente um ativismo religioso, ter até prática sacramental regular, pode até manter aparência de um santo. Talvez por um tempo engane os amigos, os padres e seus irmãos com suas práticas religiosas, mas coloque-o fora da Igreja, num clube, numa noitada de bar e verá sua verdadeira natureza ressurgir. Sabe por que ele age desta forma? Porque sua natureza não mudou, não foi transformada, não se fez discípulo de Jesus.

Na época de Jesus, havia um homem chamado Nicodemos. Este era muito religioso. Tinha vida religiosa intensa, mas não conseguia substituir sua religiosidade por uma “vida nova”, uma vida transformada. Ele era um grande conhecedor da religião, mas não conseguia substituir o conhecimento religioso por um renascimento espiritual. Ler: Jo 3,3: Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.

É ai que eu quero chegar, ninguém se torna cristão somente em consequência de um processo de educação religiosa. Daí que muitos católicos genéticos desconhecem a essência da experiência cristã do discipulado, porque foram só educados para uma vida religiosa. Não houve mudança interior no coração. Isso não é nenhuma crítica a nossa Catequese religiosa, mas talvez uma advertência sobre o perigo do uso impróprio da educação religiosa, quando esta substitui a experiência cristã do encontro pessoal com o Senhor Jesus Cristo Vivo e ressuscitado.

Paz e Bem!

Diác. Misael da Silva Cesarino


quarta-feira, 11 de junho de 2014

O VIRUS DA CORRUPÇÃO.

 
É temeroso, vergonhoso, e acima de tudo pecaminoso, constatar o que a maldita corrupção provoca na sociedade brasileira. Ela é como um vírus perigosamente contagioso que atinge diversos setores da nossa sociedade, como ONGs, sindicatos das categorias e até algumas igrejas; mas não são estes setores da sociedade que mais preocupam nossa população, mas sim a política, pois é nela que esta praga está mais presente, este é o setor que mais direta e indiretamente atinge um número significante de vítimas.
 
A corrupção destrói famílias, matas pessoas, cauteriza as consciências, gera uma sociedade de mentalidade obtusa. Ela atinge os poderes públicos nas mais diversas esferas, até mesmo naquelas instituições de última instância, que tem por dever zelar e guardar constituição brasileira, aliás, nos poderes públicos federais, estaduais e municipais ela é endêmica. A crise ética e moral na política brasileira exige urgentemente uma reforma radical em nossas instituições democráticas nas diversas esferas de poder. Mas o principal problema a ser enfrentado é a crise de integridade pessoal e participação social. É preciso repensar também a postura ética e o engajamento social e político do cristão nesse contexto. 
 
A história no relata que em determinado momento de grandes contagio da sociedade humana por alguns vírus nocivos a saúde, foi preciso mobilização da sociedade como um todo. Governos fazendo sua parte e a sociedade dando a sua contribuição. Portanto, sabemos que estamos lidando com um vírus mortal e precisamos combatê-lo, e combater a corrupção não é uma tarefa fácil, pois estamos lidando com "pecado grave" a ganância humana, que sem escrúpulo é capaz de se aproveitar das mais absurdas situações, como exemplo dos desastres naturais: enchentes, desmoronamentos, tempestades que resultam em morte de milhares de pessoas e que deixam desabrigadas tantas outras.

Uma grande prova de que a nossa política está infectada por inteira pelo vírus da corrupção, é o que se manifesta em seu mais grave sintoma: a compra de votos, através de brindes, de ajuda financeira, e o mais grave de todo o clientelismo através de ajuda financeira institucionalizada (as tais bolsas...) que gera e perpetua dependência e comodismos em troca de votos. A corrupção é gerada por uma cultura paternalista de troca de favores. Este vírus maldito está em Brasília e nas grandes e pequenas cidades do nosso Brasil. Esse tipo de corrupção institucionalizada forma um exército de gente manipulada, que cuja capacidade de pensar fica ofuscada pelas benesses, e porque seus interesses também são escusos, e estes "beneficiados" perpetuam pelo seu voto os corruptos no poder.
 
Nos cristãos temos uma responsabilidade muito grande neste processo de erradicação dessa praga endêmica: a corrupção.  Esse vírus é um pecado estrutural e nos envolve também. Não podemos ser omissos e muito menos comprometidos com candidatos ou políticos corruptos. O Senhor Jesus disse que os cristãos são a luz do mundo e o sal da terra, por isso devemos nos envolver nela batalha, pois com toda certeza o fato de haver tantos escândalos no meio político é justamente pela ausência de cristãos, isto é de pessoas honestas e íntegras. Quando falo cristão, não me refiro aos cristãos nominais, sim aqueles que praticam a fé cristã e são fiéis ao seguimento do Senhor e ao Evangelho. Se nós aplicássemos os princípios cristãos na política, com certeza ela não teria chegado ao nível em que  se encontra hoje.

Diante de tamanho desafio é preciso que cada cristão cultive o desejo de ser um exemplo, não se amoldando com as atitudes pecaminosas deste mundo. Nossa atitude cristã deve ser de resistir e perseverar, devemos ser como um córrego que insiste em correr no meio de uma terra ressequida. Devemos querer e fazer o que é certo e verdadeiro a qualquer custo. O desejo de Deus é que cada cristão pratique a justiça no meio desta sociedade corrupta e injusta, porque ela jaz mergulhada no pecado. O cristão deve ter Jesus como seu modelo, modelo que posso adotar e perseguir incansavelmente, sem nenhuma paranoia, muito menos uma loucura perfeccionista, mas com a disposição de assumir a responsabilidade de ser sal e luz. (conf. Mt. 5,13-16). 

Finalizo esta reflexão na firme esperança de que vamos caminhar juntos lutando para erradicar este vírus da corrupção, sem pecar pela omissão, vamos fazer valer nossa condição de filhos e filhas de Deus, e não de filhos e filhas deste mundo. A Sagrada Escritura diz que o cristão deve literalmente fugir da carne, isto é o pecado, mas resistir ao diabo, isto é o mal. Portanto não podemos acovardar, temos de encarar de frente esta questão, pois se há uma doença viral endêmica  no meio político, precisamos erradicá-la, se no meio político há trevas, precisamos ser a luz. Se nós não fizermos a nossa parte, com certeza o vírus da corrupção irá perpetuar-se e dizimará nossa sociedade. Pensemos nisso na hora de votar!

11/06/2014

Diác. Misael da Silva Cesarino

 

domingo, 8 de junho de 2014

NÃO ANDAR SEGUNDA A CARNE


Baseado no ensinamento do Apóstolo Paulo aos romanos há duas maneiras da gente viver: segundo a “carne” ou segundo o “espírito”.  De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte.” (Rm 8,1-2)

Nos ensinamentos bíblicos, “carne” não é a mesma coisa que “corpo”. Pois, segundo as Sagradas Escrituras o ser humano, é uma personalidade complexa e integrada. Ele é um “ser” composto organizado de “corpo e alma espiritual”. Ele é corpo humano precisamente porque é animado pela alma espiritual, e é a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, o Templo do Espírito.  Quando a pessoa humana escolhe viver de acordo com o Espírito Divino, dizemos que ela vive “segundo o Espírito”. Quando a pessoa humana escolhe viver contrariamente ao Espírito Divino, dizemos ela vive “segundo a carne”.

A grande diferença, ou o diferencial entre o viver estes dois estilos de vida é Jesus Cristo. Estar “em Jesus Cristo” é o mesmo que aceitar sua soberania, seu senhorio na própria vida, tanto ordem física, quanto de ordem espiritual. Isto não significa dizer que precisamos negar as necessidades legítimas e essenciais do corpo no dia a dia.

Estar “em Jesus Cristo” significa aceitar os ensinamentos e o senhorio do Senhor Jesus, nas situações das e necessidades legítimas do nosso corpo. Ser cristão, portanto, é estar “em Jesus Cristo” e, consequentemente, é viver “segundo o Espírito”. Viver segundo a carne é o oposto de ser cristão. É o mesmo que negarmos a eficácia do poder de Cristo. Paulo nos afirma A lei do Espírito de Vida me libertou...”. A “verdade” que liberta é o Senhor Jesus, pelo seu Espírito Santo.

A “vida segundo a carne” é a vida a nível natural e que a “vida segundo o Espírito” é a vida a nível sobrenatural. Viver a “vida segundo Espírito” é viver numa comunhão tranquila com o Espírito de verdade que nos habita.  Viver a “vida segundo o Espírito” é contemplar o coração manso e humilde de Nosso Senhor, pleno de bondade, ternura, amor e compreensão… Sempre pronto a nos acolher e nos renovar para amar.  Viver a “vida segundo o Espírito” é apresentar a Ele nossos cansaços e fadigas, tristezas e desilusões, enfim, os percalços de cada dia, na certeza que jamais sairemos de mãos vazias. E diremos como o Salmista: "Se todo um exército se acampar contra mim, não temerá meu coração. Se se travar contra mim uma batalha, mesmo assim terei confiança" . Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário. (Sl 26,3-4)

Portanto, aqueles que buscam “estar em Jesus Cristo”, tem o Espírito Santo como companheiro e, por Ele será guiado e capacitado para fazer todas as boas obras de Deus, e quando assim procedemos “... em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou”. (Rm 8,37)
 
Paz e Bem!

Diác. Misael da Silva Cesarino

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

TODOS HAVERÃO DE RESSUSCITAR


"Não admireis, pois vem a hora em que todos os que estão no túmulos ouvirão a voz do filho do homem, e sairão; os que tiverem praticado o bem, ressuscitarão para a vida, os que tiverem cometido o mal, ressuscitarão para a condenação" (Jo 5,28)

Na morte, que é a separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que a sua alma vai ao encontro de Deus, ficando a espera de ser novamente unida ao corpo glorificado. Deus na sua onipotência restituirá definitivamente a vida incorruptível aos nossos corpos unindo-os as nossas almas, pela virtude da ressurreição de Jesus (Cf. CIC 997)[1].
Todos os homens ressuscitarão – todos os que morrem: “os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados”. (Jo 5,29). A graça de não mais morrer será conferida aos ressuscitados, tanto para os justos, como para os condenados. Para os justos a imortalidade  será igualmente o sinal da vitória que terão obtido com Cristo sobre o pecado; com efeito, na atual ordem de coisas o homem sofre a morte não como fenômeno meramente natural, mas como uma sanção devida à culpa do primeiro pai -Adão-; uma vez consumada a vitória sobre o pecado e suas conseqüências, será restituída ao homem a graça paradisíaca da imortalidade. Nada mais poderá ameaçar ou coibir a vida dos ressuscitados, não mais terá tendência a corruptibilidade. Não terá mais necessidade das funções de nutrição e geração, elementos que os indivíduos e a sociedade procuram para perpetuar-se e suprir as necessidades do corpo mortal, pois serão comparados aos anjos do céu (cf. Lc 20,35). Para os condenados, a imortalidade não será motivo de alegria, mas sim uma pena aflitiva, pois entrarão num estado de sofrimento eterno.

Outro fato que podemos supor é o fato  de que os ressuscitados, tanto os justos quanto os injustos, possuirão todos os órgãos e membros, todas as faculdades que o corpo humano por natureza possui, ainda que, tenham sido mutilado ou disforme por nascença neste mundo, e ainda conservará também a distinção de sexo. Esse fato, que reputo um tanto difícil de compreender decorre do fato de que o homem ressuscitará, conforme o Plano de Deus, a fim de atingir a consumação a plenitude da vida. Assim sendo, deverá gozar de tudo aquilo que pertence à natureza humana como tal. Assim, Deus haverá de restaurar nos corpos ressuscitados os órgãos amputados ou mutilados nesta vida; Ele dará até mesmo aqueles que o individuo nunca tenha possuído (olhos, por exemplo, aos cegos de nascimento; os desdentados recuperaram todos os dentes). Também as unhas e os cabelos integrarão o novo corpo, estes em quantidade normal, nem deficiente e nem excessiva. Também, devemos ter em conta que muitos órgãos só têm sua função nas circunstancia dessa vida terrena e não serão utilizados após a ressurreição; todavia já que pertencem à integralidade da natureza, não poderão faltar. É de supor que seja assim, pois nada que não esteja perfeito permanecerá na presença de Deus. Assim, também, depois do juízo final, o próprio universo, libertado da escravidão da corrupção, participará na glória de Cristo com a inauguração dos “novos céus e da nova terra” (2 Pd 3,13). Será assim alcançada a plenitude do Reino de Deus, ou seja, a realização definitiva do desígnio salvífico de Deus de “recapitular em Cristo todas as coisas, as do céu e as da terra” (Ef 1,10). Deus será então “tudo em todos” (1 Cor 15,28), na vida eterna. A vida eterna é a que se iniciará imediatamente após a morte. Ela não terá fim. Será precedida para cada um por um juízo particular[2] realizado por Cristo, juiz dos vivos e dos mortos, e será confirmada pelo juízo final.

Jesus histórico, o Cristo  de Deus, ressuscitou com o seu próprio corpo: “Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho”. (Lc 24,39); mas Ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, Nele, todos ressuscitarão com seus próprios corpos, que tem agora.[3] Porém esse corpo será “transfigurado em corpo de glória” (Flp 3,21), em “corpo espiritual” (1 Cor 15,44). O corpo glorificado receberá o dom da agilidade, pelo qual poderá locomover com presteza, sem conhecer o cansaço e o obstáculo. Essa agilidade é a consequência do pleno domínio que a alma bem-aventurada exercerá sobre o corpo.
O corpo ressuscitado não deixa de ser matéria para se converter em espírito, ele é matéria autentica, pois deixa ser tocado, “Oito dias depois,... estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco! Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado...” (Cf.Jo 20,26-27) e ainda, Jesus come com seus discípulos. (Jo 21, 9-15), contudo ser matéria, mas matéria intensamente penetrada pelo espírito. Matéria mais rica de qualidade, mais nobre do que as que possuí atualmente. São Paulo em 1ª Coríntios 15,44 – refere-se ao “corpo espiritual”, isto significa, um corpo de matéria em que o Espírito Santo expande plenamente a vida e a glória de Deus.

O corpo glorificado do justo refletirá a glória da alma, que redundará numa carne tornada translúcida à semelhança de um vidro. Podemos até dizer que a beleza sobrenatural do Espírito, recebido no corpo, tomará aspecto visível. Isto de certo modo, na medida em que o batizado possui a graça santificante, já deveria acontecer aqui na terra, mas não se dá em vista do corpo ainda estar sujeito às consequências do pecado. Jesus trazia em sua carne essa possibilidade desde o seu nascimento em Belém, porém, Ele renunciou voluntariamente, só demonstrando esse poder na transfiguração no monte Tabor.  Na transfiguração Ele permitiu que transparecesse pelo corpo a glória que Ele trazia na Alma. Jesus diz que “... no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol...” (Mt 13, 43), será Ele “que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura”. (Flp 3,21), e “no dia de sua visita, eles se reanimarão, e correrão como centelhas na palha”. (Sb 3,7) e ainda promete que “os que tiverem sido inteligentes fulgirão como o brilho do firmamento, e os que tiverem introduzido muitos (nos caminhos) da justiça luzirão como as estrelas, com um perpétuo resplendor”. (Dn 12,3).
A nova matéria glorificada dos justos em nada poderá padecer ou ser molestada, nada poderá causar alguma dor, isto esta descrito claramente nas profecias escatológicas da Sagrada Escrituras, como diz o profeta Isaias: “e fará desaparecer a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e tirará de toda a terra o opróbrio que pesa sobre o seu povo, porque o Senhor o disse”: (Is 25, 8) eles “Não sentirão fome nem sede; o vento quente e o sol não os castigarão, porque aquele que tem piedade deles os guiará e os conduzirá às fontes” (Is 49,10), e ainda, o livro do Apocalipse de São João: “porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os levará às fontes das águas vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos”. (Ap 7,16). Na restauração dos fins dos tempos, as almas se acharem confirmadas na total adesão a Deus; por estar unidas ao Senhor terão domínio sobre o corpo, haverá ordem perfeita entre a carne e espírito. As demais criaturas vão reconhecer o lugar eminente do homem no Plano de Deus, e elas se harmonizaram com o homem num único conserto de louvor à bondade de Deus.

Quando isso acontecerá? Após o último abalo cósmico deste mundo que passa, a vinda gloriosa de Cristo acontecerá com o triunfo definitivo de Deus na vinda de Cristo e com o Juízo final; assim se cumprirá o Reino de Deus. O juízo final terá lugar no fim do mundo, do qual só Deus conhece o dia e a hora. Isso acontecerá definitivamente “no ultimo dia” (Jo 6,39-40; 44.54; 11,24), no fim do mundo, quando o Senhor vier na Sua majestade e todos os Seus anjos com Ele (cf. Mt. 25,31) e, vencida a morte, tudo Lhe for submetido (cf. 1 Cor. 15, 26-27), (LG 48)[4].

O juízo final (universal) consistirá na sentença de vida bem-aventurada ou de condenação eterna, que o Senhor Jesus, no seu regresso como juiz dos vivos e dos mortos, pronunciará em relação aos “justos e injustos” (At 24, 15), reunidos todos juntos diante dEle[5]. E a seguir a tal juízo final, o corpo ressuscitado participará na retribuição que a alma teve no juízo particular.[6] Lembrando que juízo particular é o julgamento de retribuição imediata, que cada um, a partir da morte, recebe de Deus na sua alma imortal, em relação à sua fé e às suas obras. Tal retribuição consiste no acesso à bem-aventurança do céu, imediatamente ou depois de uma adequada purificação, ou então à condenação eterna no inferno. Cristo nos julgará com o poder adquirido como Redentor do mundo, vindo para salvar os homens. Neste grande dia os segredos dos corações serão revelados, bem como o procedimento de cada um em relação a Deus e ao próximo. Cada homem será repleto de vida ou condenado para a eternidade segundo as suas obras. Assim se realizará “a plenitude de Cristo” (Ef 4,13), na qual “Deus será tudo em todos” (1 Cor 15,28).

 A Ressurreição dos mortos esta intimamente ligada, associada à parusia[7] de Cristo: “Quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro”. (1Ts 4,16). Então teremos a visão beatifica, que é a visão de Deus na vida eterna, lugar em que seremos plenamente “participantes da natureza divina” (2 Pd 1,4), da glória de Cristo e da felicidade da vida trinitária. A bem-aventurança ultrapassa as capacidades humanas: é um dom sobrenatural e gratuito de Deus, como a graça que a ela conduz. A bem-aventurança prometida coloca-nos perante escolhas morais decisivas em relação aos bens terrenos, estimulando-nos a amar a Deus acima de tudo.

Se cremos pela fé que Jesus morreu e ressurgiu, cremos também que Deus trata como Jesus, por Jesus e com Jesus, aqueles que nele morreram. Digo, pela palavra do Senhor, que nós, os que estivermos vivos, os que ficarmos até a segunda vinda gloriosa do Senhor, certamente não precederemos os que já morreram. Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descera dos céus, e os mortos em Cristo ressurgiram primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos seremos "arrebatados" com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre. Consolemo-nos uns aos outros com essas palavras. Amem!

 

Diác. Misael da Silva Cesarino



[1] CIC – Catecismo da Igreja Católica - marginal nº 997
[2] CIC – Catecismo da Igreja Católica - marginal nº 1021
[3] CIC – Catecismo da Igreja Católica - marginal nº 1042
[4] A Lumen Gentium (Luz dos Povos) é um dos mais importantes textos do Concílio Vaticano II. e CIC. 1038
[5] CIC .1040
[6] CIC.1021
[7]  Volta gloriosa do Cristo no fim dos tempos, para o Juízo Final.