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terça-feira, 26 de junho de 2012

GRUPELHOS MEGALOMANÍACOS MIDIÁTICOS


Nunca pensei em escrever sobre esse assunto, mas em vista do que tenho presenciado nos canais  abertos de televisão, não me resta alternativa, senão fazê-lo. E o que passo a escrever contraria-me muito, por meus princípios ecumênicos. Enfatizo também, que as minhas observações reprobatória aqui expostas, não se aplica as igrejas cristãs que são sérias por tradição, que detestam como nós cristãos católicos a mentira e procuram revestir-se da sinceridade evangélica. Tenho certeza que tais cristãos estão em suas comunidades eclesiais, vivendo da tranquilidade da sua fé. Portando, não caberia a mim, importuná-los com meus escritos, pois com certeza praticam a fé cristã com reta intenção.

Meu desabafo e a minha profunda indignação, está dirigida para esses grupelhos de pseudocrístãos que são verdadeiros contra testemunhos para o cristianismo. Esses que diariamente, usando os meios de comunicação televisado ou radiofônico praticam de forma desavergonhada o estelionato religioso. Para estes grupelhos ou tipo de seitas oportunistas os fins justificam os meios, tanto que eles são anti-ecumenicos e proseletistas.

Hoje, o que mais vemos é o nascimento destes grupelhos, eles pululam por todos os cantos do País, com tentáculos em países da África e América do Norte. Eles parecem com as bactérias multicelulares, seres de tamanho tão insignificante, mas que conseguem multiplicar-se rapidamente e interferir de forma decisiva na vida humana. Os mais sublimes objetivos destes grupelhos unicelulares são: criar uma comunidade cujo numero de adeptos sejam suficientemente grande para o pagamento do dízimo, que por certo garantirá a sustentação econômica dos seus fundadores e suas megalomanias midiáticas.  Esses grupelhos, muito bem comandadas por seus dirigentes para atingir seus objetivos não têm escrúpulos, nem se poupam em forjar falsos milagres, muito menos as falsas curas provindas de puro sugestionamento.

Esses grupelhos, que podemos chamá-los também de seitas, conseguem convencer o povão incauto de que Jesus é um “bom pagador”, pois, irá pagar todas as suas dívidas, que Ele é um grande curandeiro, pois irá curar qualquer doença, que ele é um grande empresário, pois tem sempre altos empregos reservados para aqueles que são seus amigos, que os membros da seita vão todos prosperar em riquezas, que Jesus é um grande exorcista, pois espanta de forma espetacular qualquer satanás. Mas, tudo isso tem um preço: o indivíduo tem que batizar nessa seita e contribuir seu “generoso” dízimo, se isso for seguido à risca, mais dinheiro no bolso e mais milagres vão acontecer. Tudo engodo, pois num universo de cem curas, oitenta delas seria seguramente desmascarada por qualquer psicólogo ou investigador de policia como pura sugestão ou estelionato.

As grandes vítimas preferidas desses grupelhos (seitas) inescrupulosos, que se auto-intitulam “missionários”, “bispos (as)”, “apóstolos” e outros adjetivos, são nosso povo católico, isso porque somos ingênuos e acreditamos na sinceridade dos outros. Isso está também vinculado à fragilidade da fé dos nossos católicos genéticos, pois quando recebem em suas residências uma ou duas visitas destes proselitistas, profetas da confusão e discórdia, começam a tirar das paredes seus crucifixos e imagens. Atentemos para o que diz São João, sobre esses indivíduos: "Não os recebais em vossas casas, nem os cumprimenteis" (2º Jo 10). Com esse ensinamento ele quer orientar também os batizados do nosso tempo a não conversar com esses profetas da desunião entre os cristãos.

Assim, repudio veementemente toda e qualquer artimanha dita cristã, que em nada lembra o amor altruísta do Senhor em favor da nossa Salvação. Enoja-me esses mercenários da fé que usa e abusa de técnicas de marketing para manipular a ignorância e a ingenuidade de um povo, que já não bastasse ser massacrado socialmente por um sistema político que gera pobreza e miséria. Registro minha indignação para com esses manipuladores da Palavra de Deus, que a coloca a serviço dos interesses gananciosos dos seus púlpitos midiáticos. Repudio os arautos da tal “teologia da prosperidade” que se mostra eficaz, mas somente ao bolso dos seus pregadores, que fazem de suas igrejas um negócio rentável, chegando mesmo a ver a outra “seita” como sua forte concorrente. Bem, fiquemos firmes em nossa fé cristã católica e deixemos que no tempo certo Deus há de pedir que cada um preste contas de seus atos. 


Paz e bem!
Diác. Misael da Silva Cesarino

quarta-feira, 13 de junho de 2012

EVANGELIZAR PARA RENASCER



Hoje, como nos tempos da Igreja primitiva, deve ressoar entre homens e mulheres do nosso tempo o primeiro anuncio da boa nova. Esse anúncio deve ser uma práxis que continuamente a comunidade católica deve a exemplo de Cristo, e de forma permanente assumir a responsabilidade de fazê-lo. Esse anúncio deve ser querigmático, verbalizado explicitamente e com devida clareza anunciado a pessoa de Jesus Cristo e sua Missão salvadora.

Já há alguns anos venho anunciando essa necessidade, até mesmo iniciou-se um projeto diocesano no auge do PRNM – Projeto Rumo ao Novo Milênio -, mas que não foi em frente, pois, não foi assumido pelas paróquias. Aliás, esse projeto tinha uma metodologia e uma pedagogia eficiente para a formação do missionário evangelizador, porém havia necessidade de investir financeiramente em um curso que duravam 13 dias consecutivos. Também era necessário que as pessoas sentissem a necessidade de ser evangelizados para torna-se evangelizadores, isso implicaria renunciar dias da semana para evangelizar-se e formar-se. Um curso que não apresentava uma doutrina, mas uma pessoa: Jesus.

Hoje, não restam mais dúvidas, está aí vários documentos da Igreja, entre eles o Documento de Aparecida, o Doc. 88, da CNBB, e o Doc. Missão Continental, que nos interpelam para nos convertermos a uma prática eminentemente missionária, mas com uma proposta que atenda os anseios dos homens do nosso tempo. Dentre, eles aquela que nos levar a ser verdadeiros discípulos missionários: o querígma. “O primeiro anuncio, ou a evangelização querigmática é o “elemento basilar e determinante da experiência de fé, da vida e da missão da Igreja”[i] No anuncio da pessoa de Jesus como Senhor e Salvador, o Messias que veio para nos dar o seu Espírito para viver uma vida nova em comunidade, subsiste o discipulado dinâmico.

Para ser discípulo de Jesus não basta só ser batizado, não é só ter o pecado original reparado, é preciso ser novo, é preciso ter um “eu” recriado por Deus na Justiça e na verdadeira santidade. O homem novo é regenerado, isto é, gerado de novo “importa nascer de novo” (Jo 3,7b).

Para ser discípulo precisa deixar a velha natureza, pois ela não agrada a Deus, nela não há perfeição, ela é fraca demais para seguir o mestre Jesus. Quem vive a velha natureza não consegue servir a Deus, “Porventura lança uma fonte por uma mesma bica água doce e água amargosa? Acaso, meus irmãos, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos? Do mesmo modo a fonte de água salobra não pode dar água doce”. (Tg 3, 11-12).

Um homem novo, recriado a imagem de Cristo, assim como uma vida nova também não pode ser conquistado somente por um desenvolvimento natural ou esforço pessoal, mas sim pelo “encontro com Jesus”, que nos dá a sua natureza, exigência para o discipulado e entrada na vida eterna. O caminho para vida nova, para o discipulado passa necessariamente pelo anuncio querigmático, sem o qual não haverá uma Igreja Missionária. É uma pena que tenhamos perdido tempo, com coisas periféricas e esquecemos-nos do querígma e da evangelização fundamental, ficamos somente no verniz, isto é envernizamos os nossos batizados de cristãos e esquecemos que era preciso fazê-los discípulos do Senhor.

Ninguém se torna cristão somente em conseqüência de um processo de educação religiosa. Daí que muitos católicos de tradição desconhecem a essência da experiência cristã, do discipulado, porque foram só educados para uma vida religiosa. Não houve mudança interior no coração. Isso não é nenhuma crítica a Catequese religiosa, mas talvez uma advertência sobre o perigo do uso impróprio da educação religiosa, quando esta substitui a experiência cristã do encontro pessoal com o Senhor Jesus Cristo Vivo e ressuscitado. “A acolhida do querígma produz a salvação e a mudança das pessoas; foi o que aconteceu com os apóstolos, com Zaqueu, com Madalena e com muitos outros...” [ii]

O que mais precisamos agora é investir no anuncio querigmático, para que possamos nos converter numa igreja cheia do Espírito Santo, cheia de ímpeto missionário e de audácia evangelizadora (Cnf DAp nº 549), só assim, seremos como os discípulos missionários da primeira hora da Igreja. Precisamos assumir uma nova postura eclesial, para que a dimensão missionária com uma evangelização querigmática, tenha o mesmo valor que se dá a dimensão litúrgica. Precisamos pensar missão, pensar evangelização em tempo integral, se isto não acontecer, vamos continuar a editar documentos, lê-los e ficar na mesma! Preocupamo-nos muito com a posição das velas sobre o altar, mas não preocupamos com a posição do homem diante de Deus, diante da pessoa de Jesus Cristo.

Está muito certo o Doc. de Aparecida, quando diz que precisamos de uma “conversão pessoal e pastoral”, acredito piamente que será por aí a nossa saída da Sacramentalização e da Pastoral de conservação, para uma Igreja em estado permanente de missão, comprometida com o anúncio querigmático.

O que mais precisamos hoje é fazer discípulos missionários, este foi o mandato de Cristo à sua Igreja: “Ide, pois, fazer discípulos...” (Mt 28,19), mandato que se repete hoje no clamor dos bispos da America Latina e Caribe. Precisamos pensar nisso, pois o número de católicos não tem aumentado, não estamos crescendo proporcionalmente ao número de habitantes. Em vez de crescer fazendo discípulos, (Mt 28,19) estamos sendo absolvidos e limitados a um espaço menor, somos hoje 68,4% (pesquisa da FGV) da população brasileira— o menor porcentual da história (no início dos anos 80, 90% da população era católica. Não estamos conquistando as pessoas para Cristo. Segundo as estatísticas estamos perdendo fieis para outras denominações cristãs, acredito que deveríamos perguntar “porque deixamos que nossos fiéis debandem para outras denominações?” “Porque não somos capazes de reter aqueles que se encontra em nossas igrejas?”

Será que não está faltando da nossa parte o comprometer-se: “… Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa.” (Jo 4,35). Um campo maduro para a ceifa exige do agricultor o compromisso de uma ação imediata, exige dele o desalojar-se. Repito, a evangelização é uma ordem explícita do Senhor Jesus, e não uma opção da Igreja. É um mandamento divino, e não uma recomendação humana. A evangelização dos povos, fazendo deles discípulos missionários do Senhor, só pode ser feita pela Igreja. Nenhuma outra instituição na terra pode cumprir essa tarefa. A igreja é o método de Deus para salvar almas. Se a igreja falhar – eu e você -, Deus não tem outro método. Se o pecador morrer no seu pecado por falta do anuncio do Evangelho, Deus cobrará de nós o seu sangue. A evangelização não pode esperar. Ela é impostergável.  

É Preciso que nós, enquanto discípulos do Senhor, tenhamos o senso da urgência missionária como nosso Mestre que disse. “... Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra” (Jo 4.34). Jesus com certeza estava com muita fome, mas, tinha algo muito mais urgente para fazer do que se alimentar. Seu propósito era dar a água da vida à mulher samaritana que estava ao redor do poço. O que precisamos nos dias de hoje ter a mesma urgência do Senhor Jesus. O que tem nos impedido de evangelizar não é tanto falta de metodologia, mas falta de paixão, de ardor missionário. Devemos tomar urgentemente as palavras do Apóstolo Paulo e fazê-la nossa: “Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16). Uma Igreja que não evangeliza, precisa ser evangelizada para renascer!



[i] Subsidio doutrinal nº 4 da CNBB – Anúncio querigmático e evangelização Fundamental.
[ii] Subsidio doutrinal nº 4 da CNBB – Anúncio querigmático e evangelização Fundamental, nº 32

quarta-feira, 30 de maio de 2012

ELEIÇÃO MUNICIPAL 2012, CUIDADO!!!





É ano eleitoral e as feras devoradoras e gananciosas estão soltas. Começa a corrida maluca e inescrupulosa do ego. O vale tudo da política brasileira com um único objetivo: “o poder e as benesses”. Uns vão atrás do maldito poder para realização pessoal, outros atrás de status ou a possibilidade de levar vantagens financeiras – corrupção-, outros a manutenção do feudo, isto é, legado político e assim por diante. Com isso, começa também as falsas promessas,  com objetivo eleitoreiro de por mais quatros anos enganar os “bobos da corte”.



Estamos dentro de uma grande crise de valores éticos e morais na política brasileira e em algumas instituições importantes do nosso País. Os noticiários todos os dias nos apresentam escândalos de desvios de verbas públicas, obras inacabadas, autoridades envolvidas com a criminalidade, pessoas tentando corromper e corrompendo servidores públicos, etc. E os homens e mulheres de bem, não aguentam mais assistir tanta imoralidade na administração pública, é “mensalão”, “cachoeirão” e assim por diante. Eu particularmente estou enojado do poder público, que aí está instituído em nosso País como uma verdadeira sanguessuga da sociedade brasileira. Seja ele no âmbito do executivo, legislativo ou judiciário. Esteja ele na esfera municipal, estadual ou federal, ele me enoja. Enoja qualquer cidadão de bem.


De norte a sul, leste oeste desse nosso país a corrupção fere de morte a sociedade, a economia, a política e - ao mesmo tempo – fere os valores éticos e morais sobre os quais se fundamenta uma sociedade digna. Ela está tão entranhada nos poderes (todos) que assume a condição de “normalidade” da vida política nesse País. Ela é uma chaga que está destruindo o tecido sadio da sociedade brasileira. A degradação e a ineficiência dos poderes públicos atingiram tão elevado  grau, que já não acredito mais que, se apesar de lentas, as mudanças nesse País um dia virão pela mãos de políticos.

Acredito que, não é mais tempo do povo deixar-se enganar na escolha dos seus representantes políticos, se é que, podemos chamar tais “homens” de nossos representantes. Aliás, até parece uma ofensa à população brasileira esta ideia de chamar esses “homens” que ai estão de “representantes do povo”. Eu, não sou corrupto, não corrompo e também não roubo, pois tenho procurado viver dentro da ética e da moral a honestidade pessoal, portanto, sem querer generalizar, não me vejo representado por estes “salafrários”.

Temos que ficar atento, aguçar nossa memória para a história das nossas cidades, história que é muito recente, que ainda está em nossa memória. Será que já esquecemos em “quem” votamos para vereador ou prefeito? Será que estou satisfeito com aquele homem ou mulher que ajudei eleger pelo voto? Vamos analisar criticamente essas pessoas, se foram dignas durante o seu mandato, vamos dar uma nova oportunidade, mas se foram relapsos com o mandato, se legislaram em causa própria vamos enxotá-lo do poder, afinal quem os sustenta somos nós com nossos impostos, ou você esqueceu-se disto. Você esqueceu que é patrão destes homens e mulheres. Eles assinaram um contrato de quatro anos com você, se eles foram aprovados renove o contrato, mas se não foram, mande embora.

Quero destacar que não sou contra a política e nem os políticos, pois acho a política necessária e com papel relevante para o desenvolvimento da nossa sociedade em qualquer instância, onde os debates de ideias e valores retratam todas as categorias sociais nela representada. O que não podemos confundir é corrupção com política, pois o que existe são pessoas de má índole e corruptas por natureza, que se tornam políticos e não políticos com ideais filantrópicos que se tornam corruptos.

Nesse período eleitoral, serão comuns as caravanas de candidatos às comunidades eclesiais, atrás de eleitores. Ainda que a legislação eleitoral proíba que templos religiosos sejam usados como palanques eleitorais, alguns políticos ou aspirantes ao cargo tentam “seduzir” as lideranças das comunidades eclesiais com o pretexto de “ajudar” a comunidade com doações de materiais de construção, reforma do telhado, cadeiras, aparelho de som novo e ajudas para festas, só para ter o seu nome veiculado como um representante popular da comunidade. É aí que precisamos estar atentos, pois esse pseudo “candidato” a político ou político em exercício, já começa mal a sua campanha eleitoral. Ele mostra que possui uma conduta ética e moral fundamentada na criminalidade e ilegalidade, pois dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem para obter ou dar voto é crime eleitoral previsto no artigo 299 da Lei n 4.737 de 1995 do Código Eleitoral.

O que alerto neste artigo não é novidade! Isso, infelizmente é realidade que permeia diversos dos nossos municípios pelo País afora.
Se de fato somos cristãos, se de fato estamos do lado da verdade, tal imoralidade e ilegalidade devem ser por nós combatidos e denunciados, pois tais “candidatos” não devem ser eleitos e muito menos reeleitos, pois se isto acontecer será o mesmo que realimentar a ciranda da corrupção. Devemos, sim, expurgá-los da política, para que a uma verdadeira representação do povo possa ser eleita de forma ética, com pessoas preparadas e vinculadas a princípios éticos e valores morais cristãos, cuja missão principal é a de servir seu município, seu povo sem apego ao dinheiro.

Deus condena a omissão dos que fecham os olhos ou fazem de conta que não vê! Diz o Provérbio:  “Se disseres: Mas, não o sabia! Aquele que pesa os corações não o verá? Aquele que vigia tua alma não o saberá? E não retribuirá a cada qual segundo seu procedimento?” (Pv. 24,11-12). Ninguém, quer seja pobre ou rico, político ou apolítico, religioso ou ateu, dirigente público, juiz ou ministro, pode usar a desculpa de ignorância para evitar a responsabilidade de ajudar o povo que está em necessidade, pois foram eleitos ou nomeados para cuidar dos interesses da sociedade, e não dos seus, usando o poder em benefício próprio. Não pense os senhores que Deus não sabe ou desconhece as situações de injustiça ou desmando em que vive o nosso País nos seus três poderes. Se os senhores não praticam a justiça, lembrem-se disso: Deus praticará! Hoje ou amanhã, pois ela poderá tardar, mas jamais falhará! Nessa justiça divina eu confio, pois ela será o único remédio contra a corrupção nos poderes, que é descaradamente hoje uma chaga aberta na sociedade brasileira!

Vamos ficar com o olhar atento para dentro das nossas comunidades eclesiais, afim de que possamos identificar e apresentar à sociedade como candidatos,  homens e mulheres, com o perfil de alguns personagens bíblico que foram importantes na condução do povo de Deus, tais como Moisés, Abraão, José do Egito, Salomão, Davi, etc... Homens preparados tecnicamente, forjados no caráter e na vivência como discípulo do Senhor, para que possam influenciar e ajudar a nossa sociedade, sob pena de sofrermos com a nossa omissão dando espaço ao continuísmo da corrupção neste momento de mudança nas administrações municipais. “Para o cristão, participar da vida política do município e do país é viver o mandamento da caridade como real serviço aos irmãos, conforme disse o Papa Paulo VI: “A política é uma maneira exigente de viver o compromisso cristão ao serviço dos outros” (Octogesima Adveniens, 46). Só assim, seremos “fermento que leveda toda a massa” (Gl 5,9). (cf.Mensagem da CNBB)

Paz e bem!
Diác. Misael da Silva Cesarino

terça-feira, 15 de maio de 2012

QUEM REINA NO SEU CORAÇÃO?



“Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito”. (Ef. 5,18). 

Essa passagem bíblica nos coloca diante de uma necessidade, de que enquanto cristão nós devemos encher-nos do Espírito Santo. Não se trata de receber o Espírito Santo em medidas homeopáticas, em conta-gotas, mas sim embriagar-se dele. Lembremos que, se o homem tomar uma taça pequena de vinho hoje, outra amanhã e depois, não vai embebedá-lo, para que ele fique embriagado é necessário tomar muito vinho. Assim é a nossa vida cristã, não recebemos o Espírito Santo aos poucos e vamos acumulando-o. Vamos nos encher dele na medida da qualidade da nossa vida espiritual, de acordo com a nossa busca e abertura de coração. E o encher-se do Espírito Santo, não significa ficar com o poder espiritual em depósito, num cofre e trancado, mas transbordá-lo, colocá-lo a serviço da Igreja do Senhor. 

Lembremos que o poder do Espírito Santo em nossa vida nos faz meros instrumentos nas mãos de Deus, pois o poder é dele e para Ele. Ele nos usará quando e onde quiser para a glória do seu nome e a edificação do Corpo de Cristo. Se realmente quisermos viver essa plenitude do Espírito Santo, precisamos acertar nossa relação com Deus, pois o Deus do tempo apostólico é mesmo de agora, Ele não mudou e jamais mudará, Ele é fiel em sua Promessa! O fato acontecido naquele dia de Pentecostes poderá acontecer hoje, pois as mesmas responsabilidades que tinham os discípulos da primeira hora da Igreja é a que temos hoje. A responsabilidade de testemunhar Cristo como Salvação para mundo continua. (At 1,8). Ninguém, por mais bonzinho que seja conseguirá testemunhar Cristo se não for cheio do poder do Espírito Santo. 

Hoje, o que a Igreja mais precisa é de homens e mulheres repletos do Espírito Santo. Não basta ser só católico, alimentando uma ideia sacramentalista vivida num legalismo religioso e continuar a viver uma vida vazia, uma vida conformada com o mundo e suas concupiscências. Existe em nosso meio católico uma preguiça, um comodismo, um desleixo com essa busca do poder divino. Homens e mulheres do nosso tempo estão ignorando peremptoriamente este ensinamento de Paulo: “... enchei-vos do Espírito” (Ef. 5,18). E, hoje, mais que nunca precisamos viver conforme disse o Apóstolo Paulo: “... Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim...” A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. (Gl 2,19-20), se quisermos obter este poder divino para melhor atuarmos na Igreja do Senhor. 

Lamentavelmente há um problema que tem perturbado ao homem desde o princípio da criação. E tudo começou quando o homem tomou a decisão de fazer a sua própria vontade em vez de obedecer a Palavra, ou melhor, a ordem de Deus. Estou referindo a problemática do “eu”. O Senhor Jesus nos ensina de forma clara que o requisito para o seu seguimento é negar-nos a nós mesmos: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24). Ele não nos diz para privar-nos de coisas que gostaríamos de ter, ainda que pudesse incluir isso, mas fala de um jeito novo de viver que Ele requer de seus seguidores. E este é um princípio fundamental que devemos aplicar em a nossa vida cristã a todo o momento. O discípulo de Cristo deve renunciar as demandas do seu antigo EU porque este foi crucificado com Cristo. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim...” (Gl 2,20). Assim, queiramos ou não carregamos no intimo do nosso coração um trono real e uma pesada cruz. E é comum quando nos deixamos levar pela vaidade, pelo orgulho e as concupiscências deste mundo, reinar neste trono o velho Adão – o homem velho, o homem carnal. Quando isso acontece em nossa vida, nosso Rei e Senhor: Jesus Cristo continuará pregado na cruz! Ele continuará crucificado, e nosso “eu” viverá seu reinado, ocupando o lugar real de Cristo em nossa vida. 

Amados, se quisermos viver a plenitude do Espírito precisamos entronizar em nosso coração o Cristo Senhor. Ele precisa reinar em plenitude em nossa vida. Ele precisa assumir o comando da nossa vida. A crucificação do nosso “eu” é a única forma dele viver em nós e nós permanecermos nele. “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (cf.Jo15, 4..). Para fazer este caminho precisamos passar por pela “porta da humildade” que é muito baixa, e só podemos passar por ela rastejando, isto é inclinando nossa cabeça e nos despojando de tudo. Não vamos conseguir passar por essa porta que nos leva ao poder espiritual carregando tranqueiras, levando nossas bagagens de pecados, sejam eles de grande ou pequena monta. Não podemos deixar-nos levar pelas vontades do “eu”, pois, elas são carnais e pecadoras, elas são resistentes como o aço, não se deixam dobrar, muito menos se moldar à vontade soberana de Deus. Para quebrar nosso “eu” é preciso fazer como Jesus: Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”. (Mt 26,39). Este é o caminho, embora seja um processo doloroso e humilhante, mas é o único caminho. Foi por este caminho que trilharam os santos e santas de Deus. Foi por este caminho de humilhação do vaidoso “eu” que eles alcançaram as glórias dos altares. 

Amados, colocar a disposição do Senhor para que seu Espírito reine em plenitude, requer viver as palavras de São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Jesus não poderá viver em plenamente em nós, muito menos podemos testemunhá-lo, enquanto o orgulhoso “eu” com suas vontades carnais não for esmagado e colocado na cruz. Enquanto nosso coração estiver carregado de “eu”, que se justifica, que segue seu próprio caminho, que faz sua própria vontade, que luta pelos seus direitos, que busca sua própria glória, não haverá plenitude do Espírito em nossa vida. Enquanto não reconhecermos nossos pecados e curvar-nos diante da soberana vontade de Deus, o Senhor não poderá reinar em plenitude em nossa vida. Enquanto não entregarmos o caminho do nosso “eu” ao Senhor, Deus não poderá se manifestar ao mundo por nosso intermédio. Não seremos testemunhas da ressurreição Gloriosa do Senhor. O Senhor Jesus nos ensina de forma clara que o requisito para o seu seguimento é negar-nos a nós mesmos: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mt 16,24). Ele não nos diz para privar-nos de coisas que gostaríamos de ter, ainda que pudesse incluir isso, mas fala de um jeito novo de viver que Ele requer de seus seguidores. E este é um princípio fundamental que devemos aplicar em a nossa vida cristã a todo o momento. O discípulo de Cristo deve renunciar as demandas do seu antigo “eu” porque este foi crucificado com Cristo. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim..." (Gl 2,20). 

Para ser sinceros com nós mesmos, temos que reconhecer que uma das batalhas mais difíceis na nossa vida é a luta contra o “eu”, é a gente deixar que Deus tome o completo controle da nossa vida. Muitas vezes, mesmo depois de ser crucificado, o “eu” volta em cena e é necessário voltar a dar tratamento de “choque” nele. O apóstolo Paulo disse em sua carta aos coríntios, que ele morria diariamente “Cada dia, irmãos, expondo-me à morte, tão certo como vós sois a minha glória em Jesus Cristo nosso Senhor”. (1 Cor 15,31). Aqui está um belo ensinamento, para tratar algo com o qual temos que conviver continuamente, pois disto depende, em grande parte, que consigamos encher-nos do Espírito Santo. Nunca esquecendo que o “eu” é um militante ferrenho, que constantemente trava suas lutas contra o Senhor Jesus, para que Ele não ocupe o trono do nosso coração. 

Para que o Senhor Jesus seja tudo em nós, e possamos ser usados por Ele poderosamente em nossos trabalhos eclesiais, e Ele viva plenamente em nós, precisamos colocar o “eu” na cruz e morrer, como fez São Paulo ao dizer: Cada dia, irmãos, expondo-me à morte, tão certo como vós sois a minha glória em Jesus Cristo nosso Senhor. (1Cor 15,31) Assim também devemos: “Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo”. (2 Cor 4,10). E seremos cheios do Espírito Santo de Deus, num coração novo para conhecê-lo, com uma nova língua para louva-lo, bendizê-lo e testemunhar o seu nome diante do mundo. 

Paz e Bem! 

Diác. Misael da Silva Cesarino

sábado, 28 de abril de 2012

AGRADECIMENTO AOS SEGUIDORES E LEITORES.



Esta edição do REFLETINDO, é na verdade um agradecimento primeiramente a Deus, depois a vocês meus irmãos e irmãs que tem honrado este BLOG com sua visita perseverante. Temos recebido mais de TRÊS MIL VISITAS, entre elas irmãos e irmãs dos USA, Rússia, Colômbia, Alemanha, Reino Unido, Itália, Letônia, Argentina, Canadá e dos nossos irmãos do Brasil. Isso tem me motivado a uma constante necessidade de buscar encher-me das coisas de Deus.

Isso me faz sentir na obrigação de enquanto ministro ordenado, aproveitar este meio de comunicação para por em prática a missão de anunciar profeticamente a Palavra de Deus de forma salvífica. Tornar o Reino de Deus mais presente no mundo, isto é, manifestar a soberania salvífica de Deus, tendo em vista que a Sagrada Escritura mostra que cada um de nós, membro do corpo de Cristo temos uma missão importante na edificação dos outros irmãos (Efésios 4,11-16). Sinto que Deus me tem dado o privilégio, mas ao mesmo tempo a responsabilidade de espalhar o evangelho de Cristo. O Novo Testamento deixa claro que esta era a máxima prioridade na vida do Senhor Jesus e de seus seguidores. E se sou verdadeiramente seu discípulo e ministro, essa será também minha prioridade. Acredito que devo partilhar da atitude expressada pelo Apóstolo Paulo que  diz: “Com efeito, não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força vinda de Deus para a salvação de todo o que crê...” (Rom 1,16).

Sei que é árdua a missão de ensinar toda a verdade, mas preciso aceitar essa responsabilidade de ensinar a verdade da palavra de Deus em todas as circunstâncias. Ainda que fale do espiritual, do social, da política, devo anunciar a verdade profeticamente. Enquanto ministro da Igreja do Senhor preciso da mesma convicção do Apostolo Paulo quando encorajou Timóteo, dizendo: " prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir" (2Tm 4,2). Pois se eu evitar abordar assuntos que caminham na contra mãos da palavra de Deus porque poderiam ser impopulares ou difíceis das pessoas aceitarem não estaria cumprindo a minha missão. Tenho a sã consciência que devo ser desafiados pela Palavra de Deus, com foi a Igreja de Esmirna: “Se fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2,10). Desejo que essa minha fidelidade se expresse nas pequenas coisas que faço e escrevo que acabam sendo basicamente minha atitude de obediência a Deus, carinho pela Igreja, carinho e cuidado pelo povo, e a vivência da minha vocação ao serviço do Reino de Deus.

Sou agradecido a Deus e a você, pela oportunidade de servir a Deus, com estas modestas linhas escritas neste meio de comunicação.  Estarei orando todos os dias por você que dedica seu tempo em vir até este BLOG e ler nossa mensagem. Deus lhe derrame bênçãos que dure para eternidade!


Paz e bem!

Diác. Misael da Silva Cesarino


sábado, 7 de abril de 2012

O CALVÁRIO E O PENTECOSTES!


Hoje quero falar do poder de Deus na vida do cristão e da submissão incondicional a Ele. Não sei se o irmão (a) leitor (a) já percebeu, que nós cristãos vivemos entre o Calvário e o Pentecostes. Explico: Calvário é o sangue precioso do Senhor que nos purifica e o Pentecostes é o poder do Espírito Santo que nos reveste para viver a dignidade de filhos e filhas de Deus. Essa é a nossa vida, ou pelo menos deveria ser! Pois, é isso o que Deus quer de cada um de nós. Não é mesmo?

Deus nos quer homens e mulheres purificados e cheios do poder do Espírito. Ele nos quer como taça transbordante de poder. (cf. Sl 22,4). Ele nos quer assim, para nos usar em nossa caminhada cristã como um vaso de bênção na vida do próximo. Mas, para que isso aconteça, é preciso que deixemos tudo aquilo que nos oprime, tudo o que nos afasta do Senhor, tudo aquilo que tem arruinado nossa vida espiritual.

O Senhor nos quer na sua presença, na mesma situação de arrependimento, que teve o filho pródigo, quando voltou à casa do pai, ele sabia que ali havia fartura de bens, ali havia um rio de bênçãos, de graça, de poder, de felicidade. Deus nos quer fartar dos seus bens celestiais. Ele não que nos ver fartando das bolotas (comida) que o mundo oferece. Ele não nos quer bebendo em cisterna rotas (Jr 2,13), que o mundo oferece, pois esta nunca matará nossa sede. Deus nos quer junto do seu celeiro de provisões, junto do manancial do seu amor infinito, numa vida útil, abençoada e poderosa.

Quantas vezes olhamos para nós e percebemos que, tem sido difícil nossa ascensão espiritual diante do Senhor. Isso acontece porque vivemos uma vida corrida, vivemos atormentados e atormentando outros com nossas necessidades de ter posses (casa, carro, dinheiro e os bens de consumo do mundo moderno) e não paramos para ouvir o Senhor. O Senhor fala, mas não ouvimos e com isso nosso coração sente falta da Palavra do Senhor. A vontade do Senhor é que sejamos prontos em ouvi-lo como foi Samuel ao dizer: “... vosso servo escuta!” (1Sm 3,10). Se analisarmos este texto perceberemos a submissão plena de Samuel a Deus, embora sendo ainda um menino. Ele ao ouvir a voz do Senhor, submeteu-se inteiramente à sua vontade soberana. Ele havia apreendido com Heli, de como deveria colocar-se diante do Senhor para ouvi-lo. Essa atitude permitiu que o menino crescesse, e fosse reconhecido por todos como um profeta, pois o Senhor estava com ele.

Com Samuel aprendemos a necessidade de ter um coração disposto e pronto para ouvir a voz do Senhor. É isso muitas vezes que falta em nossa vida cristã. Enquanto não houver da nossa parte submissão e prontidão para ouvir o Senhor, pouco ou nada Deus poderá fazer em nossa vida cristã ou ministério eclesial. Precisamos nos atrever como a mãe de Jesus, Maria Santíssima, quando diz: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lc 1,38). Ela coloca-se aqui numa situação de submissão incondicional a Deus, ela não se importa com as circunstancias da condição de moça solteira, noiva, que aparece grávida e que para aquela sociedade machista da época era humilhante e infame. Essa atitude poderia custar-lhe a morte por apedrejamento, bem como a desonra para a família e para o seu noivo José. Mas, ela assume o risco da condenação da opinião pública, para fazer a vontade do seu soberano Senhor. É desta submissão exemplar da Mãe de Jesus, que precisamos hoje em nossas vidas, para servir o Senhor poderosamente.

Acredito que você estará perguntando, mas como fazer isso? Lembre-se que o apostolo Paulo, também fez essa pergunta: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9,6), lembre-se que este cidadão era um fariseu orgulhoso e prepotente, mas que se viu no meio do pó aos pés do Senhor Jesus, lá no caminho de Damasco. Ali jogado no chão, aos pés do Senhor ele expressa sua vontade, sua disposição em deixar o seu coração submisso ao Senhor Jesus. Ele deixa de ser ele, não há mais vontade nele “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Ele agora coloca a sua vida nas mãos do Cristo ressurreto. Submete-se inteiramente a Ele, e sua vida passou a ser poderosa em ação e uma bênção na edificação do Reino de Deus.

Que o Calvário e o Pentecostes seja uma realidade constante em nossa vida. E assim seremos poderosos em ações e uma bênção na edificação do Reino de Deus. Creia nisso!
Paz e bem!
Diac. Misael da Silva Cesarino

sexta-feira, 30 de março de 2012

CORRUPÇÃO TEM JEITO SIM...CONVERSÃO!


Hoje quero falar da corrupção e da conversão. Sabemos que a corrupção existe desde que o “mundo é mundo, e que o Brasil foi colonizado por Portugal”, aqui não há nenhuma ofensa aos meus irmãos portugueses, mas sim ao sistema colonizador. A corrupção está infiltrada no tecido da sociedade, nos bancos, nas lojas, nas empresas, enfim, ela é a grande vilã da história de miséria do nosso e de muito outros Países. Nesses últimos dias temos visto que a mídia escrita, falada e televisada está cada vez mais denunciando atos corruptos de deputados, prefeitos e as famosas primeiras damas, senadores, juízes, policiais, funcionários e gestores de repartições públicas. Tem mostrando também que, a sociedade esta buscando leis para coibir essa “pouca vergonha nacional”, mas a meu ver o problema é muito mais do que falta lei e de aplicações de leis penais nessa bandidagem.


Infelizmente, vivemos num país que não existe uma justiça séria, principalmente quando se trata de “políticos sujos” ela fica em “cima do muro”, é claro que no Brasil existem sim pessoas honestas, mas há também um número muito maior de pessoas sem ética, sem moral, sem escrúpulo e sem respeito pelo semelhante, que pensa só em si mesma. A honestidade hoje em dia, aqui neste País abandonado ao léu, está cada vez mais extinta pelos corruptos de plantão deste Brasil cruel. Mas, nós homens e mulheres de bem não podemos desistir, temos que alcançar nossos valores humanos, temos que ter ética sobre o próximo, pois agora está chegando ai uma nova geração, e nós os mais velhos temos a missão de fazer com que seus filhos e netos virem críticos e revolucionários do bem para melhoria da vida desse país.


O problema da ética foi e sempre será a eterna batalha entre o “bem e o mal”, o “certo e o errado”.  Não existe em lugar algum do nosso planeta, povo ou lugar que não tenha noções de bem e mal, de certo e errado. Desde povo da Antiga Aliança, passando pela Grécia Antiga até aos nossos dias, a ética é um conceito que sempre esteve presente em todas as sociedades. Para elucidar a minha reflexão, a palavra Ética (do grego ethos, significa modo de ser, caráter, comportamento) é o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. É importante ter em conta que a ética diferencia-se da moral, pois a moral se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, pois a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.


Existe um pensamento que a ética social neste país só sobreviverá se for vivida por todos, isto é verdadeiro, também que só teremos uma sociedade melhor, mais justa, fraterna e igual quando for praticado o princípio básico da ética social: onde o bem é para si e para toda sociedade, também isso é uma pura verdade!. Mas, meus caros irmãos e irmãs, toda essa mudança passa por uma palavra também grega, chamada “metanóia” que significa “conversão” do homem. Só teremos uma sociedade moralmente e eticamente correta, com caráter transformado, quando houver uma transformação do interior, da alma do homem. Não adianta nada a pessoa mudar exteriormente sem ter mudado interiormente! Muitos acham até que ninguém muda o caráter... Pois nós cristãos católicos conhecemos um Deus que Muda...! Disso somos testemunhas.


Queridos, nosso Deus nos criou a Sua Imagem e Semelhança, mas infelizmente com a entrada do pecado no mundo, essa Imagem foi “desfigurada, deturpada, desviada”. Só Deus é quem pode restaurar essa Imagem d'Ele em cada um de nós, pois Ele sabe como nos fez, Ele nos conhece, Ele nos projetou... Portanto, não adianta a gente ficar esperando que as mudanças caiam do céu ou venha dos outros. Religião vivida e praticada aliada a Cidadania é tudo! Estas podem pela graça de Deus mudar o coração, a alma, o caráter do homem.


Quero trazer para exemplificar nossa reflexão um personagem bíblico fantástico, seu nome Zaqueu (Lc 19,1-9) esse homem encontrou sua transformação quando quis mudar de vida, quando decidiu através da prática religiosa encontrar Jesus Cristo. Este encontro trouxe a ele conseqüências bem concretas, envolveu a vida dele no seu todo, envolveu o todo da sua pessoa. Esse homem corrupto, ladrão, sem moral e princípios éticos, confessa os seus próprios pecados, e assume com Deus o compromisso de reordenar a sua conduta ética e moral, e o mais importante viver uma vida em comunhão com Deus.  Meus queridos, o mal ético e moral de Zaqueu foi vencido pelo bem de Jesus; o pecado de Zaqueu foi vencido pela Misericórdia de Deus. Zaqueu deu a partir dali inicio na sua caminhada de conversão. A partir do momento em que a luz da Palavra de Jesus penetrou na consciência de Zaqueu, afastou dele as trevas da corrupção. Possivelmente ele não deixou sua atividade pública, continuou cobrador do fisco, só que agora um homem eticamente e moralmente correto.

Amados, sabemos que todas as pessoas que tem um encontro com o Senhor Jesus pela fé, nunca mais será a mesma. Foi o que aconteceu com Zaqueu... “entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo". Jamais Zaqueu poderia ter tomado esta decisão de não fosse pelo seu encontro com o Senhor. Naquele encontro com Jesus, Zaqueu encontrou a solução que estava procurando! Ser ético e moral. Agora a riqueza e as posses haviam deixado de ser o mais importante.


Portanto, corrupção tem jeito sim, seu remédio é a conversão, desde que Deus deixe de ser um “slogan” na fala dos homens, mas que seja uma pessoa real, concreta que age e move o homem na direção do bem comum. A conversão não é só para os outros, ela começa comigo e com você! Vamos mudar?
Paz e bem!
Diác. Misael da Silva Cesarino

terça-feira, 20 de março de 2012

UM CARÁTER TRANSFORMADO


Nesses meus vinte e um anos de ministério pastoral como diácono, tenho convivido muito de perto com as comunidades, e consequentemente conhecido pessoas de diversa formação e costumes. Algumas delas verdadeiros exemplos de vida a serem seguidas, pessoas de nobreza impar, de uma fineza que contagia e que cujo discurso jamais difere de sua prática cristã. Pessoas que têm sido verdadeiros sinalizadores da presença de Deus. Suas vidas têm servido para iluminar e mostrar o melhor caminho a ser seguido. Isso é muito gratificante, para nós ministros ordenados, e acredito que para qualquer pessoa de boa índole. Mas, há de se ressaltar que, vivemos num tempo em que existe também nos homens uma carência de caráter, seja na vida publica, na vida privada ou até mesmo nos relacionamentos familiares e eclesiais.

Temos observado pelos noticiários o quanto a imoralidade social tem refletido na educação das crianças, adolescentes e jovens. Pois o referencial existente é o da imoralidade cultuada por adultos sem caráter, num País onde a impunidade é clara e descaradamente divulgada. Parece-me até que existe uma ordem nacional para que a impunidade impere e que as leis sejam frágeis, pois assim os vilões (figurões) da sociedade ficam livres das barras dos tribunais. Observamos que nossas crianças crescem com tendência a uma deformação de caráter herdada de uma sociedade corrompida por um amoralismo generalizado. Uma sociedade onde tudo pode, onde o ético é levar vantagem e enriquecer a custa do erário público ou sobre a desgraça alheia. Vejam na gestão da coisa pública: corrupção, enriquecimento ilícito, politicagem do ganho fácil. Na vida religiosa: seitas e “igrejinhas” com os mais variados nomes exóticos para induzir a lesar a fé ingênua de um povo carente e abandonado pelo poder público. Nos meios de comunicação: os programas que promovem a permissividade sexual, as telenovelas que mostram relacionamento entre pessoas do mesmo sexo como coisa normal, o casamento programado para um determinado tempo e assim por diante. Essa é a nossa realidade! Esse é o berço social das nossas crianças!

Bem, nesse lamaçal de permissividades nem tudo está perdido, e não significa que o homem não tem mais jeito. Sabe por quê? Por que o maior prazer deste nosso Deus infinitamente rico em misericórdia é transformar os homens de vida doentia em vidas saradas. A maior alegria de Deus é mudar os comportamentos enfermos e restabelecer o homem da sua situação de morte espiritual eminente. Se olharmos, ainda que rapidamente para as Sagradas Escrituras, e ali perceberemos que muitos personagens bíblicos foram trabalhados por Deus, foram transformados. E pela Palavra de Deus, temos ciência de alguns deles precisaram até mudar de nome, como foi o caso de Abrão para Abraão; Sarai para Sara; Saulo para Paulo e assim por diante. Acredito que a maior mudança realizada por Deus, foi no caráter de um homem que era um grande trambiqueiro, um grande mentiroso, um “expert” em enganar e trapacear, que se chamava Jacó. Ele após ter o caráter mudado, teve também seu nome mudado para Israel!

É importante notar que todos esses personagens da bíblia tiveram uma transformação de caráter, uma transformação do interior, da alma, não foi uma mudança exterior, uma mudança de aparência. Pois, de nada adianta a pessoa mudar só seu exterior sem ter mudado o interior! Tem muita gente na sociedade atual, achando que, ninguém é capaz de mudar o caráter. Mas nós afirmamos e testemunhamos que existe um Deus que pode mudar as pessoas e muda mesmo. Ele muda radicalmente quem a isso se predispõe, basta olhamos a vida de muitos santos na Igreja, um exemplo, a história de Santo Agostinho. Mas, para que Deus possa agir em uma pessoa e mudar seu caráter é necessário que exista da parte dela uma determinação, disposição, perseverança e muita força de vontade. Evidentemente que isso não acontecerá em sua vida da noite para o dia, salvo algumas exceções para a glória de Deus.

Esse processo de mudança interior é uma santificação que a pessoa vai conquistando paulatinamente, dia após dia. Mas, tal pessoa precisa ter em conta que Isso não acontecerá sem dor, pois mudar o caráter vai trazer na carne falsas dores, assim como acontece com os viciados em crise de abstinência, no tratamento da dependência de qualquer tipo de drogas. Essa mudança não acontecerá sem a colaboração e o esforço humano. Nesse processo é preciso que haja muita luta, muita oração, muita eucaristia para mudar o caráter, mudar os maus hábitos e livrar-se das malignidades que rodam as vidas. É preciso no dia-a-dia que se adotem bons hábitos, pois os hábitos de um homem tornam-se seu caráter; somos reflexos daquilo que fazemos; daí a necessidade da vida de oração, comunhão com Deus, de escuta da Palavra pela leitura orante da bíblia, da comunhão eucarística e da comunhão eclesial.

São Paulo em sua Carta aos Efésios nos ensina algumas práticas de bons hábitos, que por certo visa a nossa transformação diante do Senhor e dos Homens. Diz ele: 25 Por isso, renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros. 26 Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. 27 Não deis lugar ao demônio. 28 Quem era ladrão não torne a roubar, antes trabalhe seriamente por realizar o bem com as suas próprias mãos, para ter com que socorrer os necessitados. 29 Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. 30 Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. 31 Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia. 32 Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo. 1 Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. 2 Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor. 3 Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. 4 Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças. 5 Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento - verdadeiros idólatras! - terá herança no Reino de Cristo e de Deus” (Ef 4,25. 5,1-5).

Mas, para que isso aconteça em nossa vida, temos muito mais a fazer nesta busca de mudança de caráter, temos que adotar bons amigos em nossa vida, isto é, seguindo a orientação de São Paulo que Diz: “Não vos deixeis enganar: Más companhias corrompem bons costumes” (1Cor 15,33). É importante ter um bom amigo, pois ninguém consegue mudar seu caráter sozinho! Precisar de ajuda! Vamos precisar confiar em alguém idôneo! Esse deverá ser nosso diretor espiritual, nosso discipulador, isto é, nos levar pelo caminho do discipulado de Jesus. Esse diretor espiritual ou discipulador pode ser um amigo de caminhada, um diácono amigo, um padre amigo, pessoas em que possamos compartilhar nossas dificuldades de mudanças. 

O Senhor Deus nos criou a sua Imagem e Semelhança, mas com o advento do Pecado, essa Imagem foi desfigurada, deturpada, descaracterizada. E somente Deus é quem pode restaurar essa Imagem dEle em cada um de nós, pois Ele sabe como e de que barro nos fez, Ele nos conhece, pois Ele nos projetou. A bíblia relata que o Senhor Deus mostrou esse trabalho de transformação de Caráter ao profeta Jeremias, levando-o a visitar um Oleiro. Vejamos o texto: “Foi dirigida a Jeremias a palavra do Senhor nestes termos: 2 Vai e desce à casa do oleiro, e ali te farei ouvir minha palavra. 3 Desci, então, à casa do oleiro, e o encontrei ocupado a trabalhar no torno. 4 Quando o vaso que estava a modelar não lhe saía bem, como sói (costuma) acontecer nos trabalhos de cerâmica, punha-se a trabalhar em outro à sua maneira. 5 Foi esta, então, a linguagem do Senhor: casa de Israel, não poderei fazer de vós o que faz esse oleiro? - oráculo do Senhor. 6 O que é a argila em suas mãos, assim sois vós nas minhas, Casa de Israel. 11 Assim, portanto, dirige-te agora nestes termos à gente de Judá e aos habitantes de Jerusalém: Es o que diz o Senhor: nutro o desígnio de lançar-vos uma desgraça, tenciono um projeto contra vós. Voltai todos, portanto, do mau caminho, emendai vosso proceder e vossos atos”. (Jer 18,1-6,11) 

Assim, ao defrontarmos com algum mau hábito que tem deformado o nosso caráter, não podemos desanimar, pois se Deus mudou o caráter de vários líderes da bíblia, sem nunca desistir deles, também mudará o nosso. Para que isso aconteça, devemos urgentemente entregá-lo ao Senhor e confessar a Ele dizendo: Senhor! Não Consigo... Então, Ele vem com a sua infinita misericórdia e amor paternal e Faz um Milagre em nós...! Dando-nos um caráter transformado para sermos luz para a sociedade e exemplo para nossos filhos.
Paz e bem!
Diác. Misael da Silva Cesarino

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A VIDA NOVA E O FRUTO DO ESPÍRITO – PARTE 2


Voltando ao tema do fruto do Espírito na vida cristão, podemos dizer que, quando o cristão está buscando a plenitude do Espírito em sua vida, para servir a Igreja do Senhor, na verdade ele está buscando os dons do Espírito Santo. Todo o cristão, batizado com o Espírito Santo, recebe um ou mais dons espirituais para servir. Isso mostra a variedade ministerial e carismática dentro da Igreja do Senhor. E, para que o cristão tenha o Dom em sua plenitude, faz-se necessário que o manifeste em sua vida, através do fruto do Espírito. O fruto são perfeições que o Espírito Santo modela em nós, como primícias da glória eterna. Na vida do batizado é de fundamental importância que o fruto do Espírito seja manifestado como consolidador da fé.  O fruto é a expressão do caráter do batizado. Por ele o Espírito Santo nós dá todas as características de Jesus, da vida de Cristo. Ele é necessário para nossa santificação.

O desejo do Senhor é repartir os seus dons com sua igreja, distribuindo-os conforme sua vontade a cada membro da sua igreja individualmente, para o bem comum do povo de Deus. Mas, uma coisa o Senhor não faz com o batizado: repartir o fruto, pois o fruto do Espírito não se reparte entre nós, visto que Ele não dá para um batizado “amor” e para o outro “longaminidade e benignidade”, pois quem tem “amor” tem “longaminidade” e “bondade”, assim por diante. Não é possível dizer ao outro: ‘irmão, você tem a “bondade” e eu tenho o “amor”. Assim, concluímos que quem tem falta de qualquer uma desta manifestação do Espírito, tem a falta das outras.

São Tiago diz em: 2,18 “Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras”.

Torna-se então impossível ao batizado possuir o amor e a alegria do Espírito, mas trazer em seu coração em lugar da paz a discórdia, que é obra da carne – do homem carnal. Da mesma forma ele não possuirá a bondade e a mansidão, se carrega em si ciúmes, rancor ou ira, que também são obras da carne. Seria um tremendo absurdo, o suposto batizado dizer que tem na sua vida o Filho, sem precisar do Pai ou o Espírito Santo sem o Pai e o filho, da mesma forma, possuir uma manifestação do fruto do Espírito, mas não as outras. Ou possuímos todas as manifestações do fruto do Espírito ou não possuímos nenhuma delas.

O fruto do Espírito evoca na vida do batizado a ideia de um amadurecimento, de um contínuo crescer e avançar na direção de Deus, sob o impulso do Espírito. Obviamente que o ouvindo atentamente e seguindo-o em obediência, numa vida plasmada por sua força e vivida ao seu estilo. “Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também sob o impulso do Espírito” (Gl 5,25). O resultado da presença do Espírito Santo no batizado é também chamado de fruto do Espírito Santo (Gl 5.22-23). E a manifestação externa desse fruto é a evidência maior de que ele tem o Espírito Santo. Os dons do Espírito representam a capacidade, o poder do Espírito na vida do batizado, ao passo que o fruto é a representação do caráter do batizado: Os dois se completam. O fruto do Espírito Santo é um só, mas se manifesta em cada vida, de nove formas diferentes (cf. Gl 5,22).

Os dons do Espírito Santo nos são dados, mas o fruto é gerado, os dons vêm após o batismo no Espírito Santo, o fruto é na conversão diária, os dons são infusos - de fora para dentro, o fruto vem do interior, os dons já vem completo, o fruto requer tempo para crescer, os dons são dotação de poder, o fruto expressa o caráter do cristão. Alguém já disse: “A fama é um vapor, o dinheiro cria asa e voa, mas o caráter permanece”. Os dons vêm pelo Espírito, o fruto vem por Jesus, os dons são distintos, o fruto é indivisível os dons confere poder, o fruto confere autoridade, os dons comunicam espiritualidade, o fruto irrepreensão, os dons identificam o que fazemos, e o fruto mostra o que somos; o mais interessante é que os dons podem ser imitados, porém o fruto nunca o será.

Se por ventura, estamos vivendo uma aridez, uma falta de manifestação do fruto do Espírito Santo em nossa vida, precisamos urgentemente recorrer ao “Trono da Graça” e não se desesperar. O primeiro passo já foi dado, já identificamos o nosso problema, agora só nos resta desejar produzir o fruto, para isso precisamos permanecer no Senhor, pois sem Ele nada podemos fazer nos diz o evangelista:

“Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor”.  (Jo 15,4-5. 8-10)

O maior desejo do Senhor é ver eu e você produzindo fruto, tanto para a alegria Dele como para a nossa, mas Ele sabe que isto só será possível se seu Espírito estiver operante em nossas vidas. Para que isso aconteça precisamos fazer do nosso corpo um templo permanente do Espírito Santo. Como faremos isso? Não oferecendo nenhum membro do nosso corpo como instrumento do pecado, mas sim, oferecendo-os a Deus como uma oferta agradável.

“Nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos do mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que os vossos membros sejam instrumentos do bem ao seu serviço. O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça”. (Rm 6, 13-14)

Essa nossa entrega deve passar por cada célula do nosso corpo, toda nossa potência, toda nossa mente, cada organismo do corpo, todos os planos de vida, todos os bens terrenos, nosso emprego, nosso lar, nossa família, amigos, tudo deve ser entregue ao Senhor e a Ele pertencer para sempre. Precisamos para este propósito, ter em mente o procedimento indicado por Jesus ao jovem rico, e não o procedimento do jovem rico narrado em Mt 19, 21-22: “Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me! Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens”.  

Foi aqui que o jovem rico falhou na sua entrega incondicional a Deus.  Após essa nossa entrega incondicional ao Senhor, para que possamos produzir fruto do Espírito é preciso que a porta do nosso coração seja aberta e que peçamos ao Senhor que entre nele pelo seu Espírito, para que se cumpra em nós sua palavra que diz: “Por isso vos digo: tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado”. (Mc 11,24)

O Espírito Santo é verdadeiramente o coração da vida cristã, Ele é a sua própria respiração, de maneira que não podemos ser somente “devotos”, mas viver e respirar o Espírito Santo. E o fruto do Espírito Santo faz nossa alma fugir dos frutos da carne, que São Paulo também enumera como sendo os diversos pecados ou vícios que levam a alma do crente para o mal. Mas, ao contrário, o fruto do Espírito Santo orienta a nossa alma já avançada no amor de Deus em direção à vida eterna. Deus será visto como fim último a ser alcançado. Luz Eterna que encherá nossas almas para sempre de Felicidade. Amém!


Paz e Bem!
Diác. Misael da Silva Cesarino

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A VIDA NOVA E O FRUTO DO ESPÍRITO – PARTE 1


O apóstolo Paulo em sua carta aos Gálatas, capítulo 5,13.16-18 e aos Romanos, capítulo 8,1-12, chama de “luta contra a carne”, o processo de purificação realizado pelo Espírito na vida do batizado. Contudo o homem pelo batismo ter sido regenerado e já tenha recebido o Espírito Santo; ele vive uma permanente ameaça da possibilidade de voltar a ser carnal, isto é voltar a ser o homem natural, decaído, não remido, vivendo em poder do seu próprio egoísmo, idolatrando a si mesmo.
Isso acontece porque que há dois reinos que disputam o poder absoluto da nossa vida de batizado; o reino de Deus dentro de nós, e o reino material aos nossos olhos. De um lado a carne reluta contra o Espírito, e do outro, este contra a carne, porque são opostos um ao outro. Isto acontece porque o alimento que satisfaz a vida carnal é material; são eles “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (Cf. Jo 2,16), os prazeres mundanos, a sabedoria humana, o louvor dos homens, a ambição para os primeiros lugares e o orgulho da aparência, mas tudo isso é passageiro. Portanto, é, pois, deverás perigoso o mundo em que vivemos. E será o Espírito Santo que libertará o cristão dessa força negativa, é ele que o tornará capaz de abrir e aderir a Deus e aos outros, numa vida orientada segundo o critério da caridade. O cristão só pode permanecer na condição de filho de Deus, e como filho Dele, “chamado à liberdade” (cf. Gl 5,13), graças à intervenção do Espírito Santo, que é o principio da liberdade.


“Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade” (Gl 5,13).

O Apóstolo Paulo exortava e ainda exorta os cristãos de hoje a “andar segundo o Espírito”, a “deixar guiar pelo Espírito”, Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis. Se, porém, vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a lei”. (Gl 5,16-18).

É sabido que a contradição entre a carne e o Espírito está dentro de cada cristão; ele já é filho e tem o Espírito de filho de Deus, mas persiste nele a possibilidade pecaminosa das obras da carne que são: “ fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúmes, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes” ( Gl 5,19-21). Essas coisas são capazes de levar o batizado à sua velha condição de escravo e a sufocação das obras do Espírito Santo.

Ao olharmos para a moral cristã, divinamente inspirada e escrita no contexto neotestamentário, vamos verificar que ela não é uma moral de efeito escravizante, muito menos ela é um conjunto de normas éticas que são impostas de fora ao batizado, o que podemos perceber que ela é o modo conatural de agir do “homem novo”, do “homem espiritual”, do batizado que tornou um “outro Cristo”, que passou a ter uma vida vivida segundo a lógica da “nova vida em Cristo” (cf. Ef 4,17-32) e a ter os mesmos “sentimentos de Cristo” (cf. Fl 2,15).

É pelo Espírito Santo, que o batizado é levado a viver a lógica do Sermão da Montanha (Mt 5), das bem-aventuranças, que lhe oferece a possibilidade de mais facilmente servir a Deus  “sob o regime novo do Espírito, e não mais sob o velho regime da letra” (Rm 7,6). Despojado do velho homem, mortos para a lei escravizante e renovado no Espírito, o fruto do Espírito Santo há de florescer na vida do cristão autêntico, pelo “amor de Deus que foi dado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” ( Rm 5,5).  O Espírito Santo é um dom gratuito de Deus para o batizado, é a semente de uma vida moral coerente, harmoniosa, que ele é convidado a viver, em outras palavras, é viver doravante uma vida animada pelo Espírito Santo.

Vivendo o “homem novo”, haverá na vida do batizado, manifestações do Espírito que marcarão sua vida cristã, e esta se irradiará em testemunho de “vida nova”, que o Apóstolo Paulo chama de “fruto do Espírito” e o catecismo da Igreja católica, com base na Sagrada Escritura os explica e enumera como perfeições que o Espírito Santo modela em nós como primícias da Glória eterna. A tradição cristã enumera doze: ”caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade” (Gl 5,22-23 – Vulgata) (CIC 1832)

Mas, existe ainda um fruto que brota diretamente da caridade e do fato de sermos filhos de Deus no seu Filho Jesus: a “liberdade” – daí dizer que quanto mais alguém tem caridade, tanto mais liberdade, porque onde há Espírito do Senhor, aí há liberdade ( 2Cor 3,17) . “Quem vive a perfeita caridade, tem em grande escala a liberdade”, diz São Tomaz de Aquino. O apóstolo Paulo divinamente Inspirado disse: “irmãos, vocês foram chamados para serem livres {...} Se forem conduzidos pelo Espírito, vocês não estão mais submetidos à Lei”  (Gl 5,13-18); assim o cristão é livre porque segue a lei do Espírito (cf. Rm 8,2), que o impulsiona a fugir do mal por amor e não por medo. Tudo isso é real e verdadeiro na vida do batizado, porém, é claro que isso não processa mecanicamente, mas trata-se de uma meta à qual o Espírito conduz, à medida que o batizado aceita e acompanha a sua ação.

Podemos até dizer que o fruto do Espírito Santo no batizado, é um amadurecimento do seu discipulado dinâmico em Cristo, pois a vida cristã deve ser um contínuo crescer, um avançar constante na direção do Espírito e sob seu impulso. Isso implica em estar atento e dar ouvido ao Espírito que fala, e da mesma forma segui-lo obedientemente por uma vida plasmada por sua força e estilo. Diz o apóstolo Paulo; “se vivemos pelo Espírito, caminhemos também sob o impulso do Espírito Santo’”(Gl 5,25)

Finalizo, afirmando que é na graça do Senhor, e no caminho de fidelidade a Ele, que vamos viver uma vida abundante, uma vida nova produzindo fruto do Espírito Santo.
                Paz e bem!
Diác. Misael da Silva Cesarino

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

VIDA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO


Quando a Igreja nos convida a sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo, no âmago deste convite está o nosso encontro com uma pessoa: Jesus Cristo. Esse encontro só é possível quando o buscamos e nos conformamos a Ele, por uma vida de filhos de Deus. Essa conformação se dá pela nossa filiação divina, acontecida no batismo, por ela recebemos o Espírito de Filhos de Deus, isto é o Espírito de Cristo, o Espírito Santo. Ora, ter o Espírito de Cristo é comum a todos os batizados, porém para viver um dinamismo apostólico, ou melhor, para viver um discipulado dinâmico, evangelizador é preciso viver uma vida cheia do Espírito Santo.
Ser cheio do Espírito Santo, ou batizado no Espírito Santo é um ensinamento bíblico, de um grandíssimo valor e máxima importância para a Igreja, não podemos negá-lo, simplesmente porque alguns não aceitam e não procuram praticá-lo. Se, está na Bíblia Sagrada, devemos acolher com solicitude cristã.
Se muitas vezes vivemos um cristianismo sem vida, apático, da mesmice, num devocionalismo inconseqüente, um batismo sem comprometimento eclesial, onde se pratica a fé somente por legalismo religioso, é porque está faltando poder espiritual em nossa vida. Esta faltando uma vida Cheia do poder do Espírito Santo. Estamos vendo e vivendo nos dias de hoje uma dicotomia entre a fé e a vida. Estamos convivendo com dois tipos de batizados em nossas comunidades: o carnal e o espiritual.
Não é difícil diferenciar o católico que tem o Espírito Santo (o carnal), do católico que tem e vive uma vida cheia do Espírito Santo ( o espiritual). Ambos foram batizados, ambos receberam o Espírito, porém, que diferencia um do outro, é que, o primeiro é batizado, recebeu o Espírito Santo, mas vive sob os desejos da carne, ele é “o homem carnal”. Ele possui o Espírito Santo, mas o Espírito não o possui, pois ele não dá liberdade para o Espírito Santo que está no seu coração agir e orientar a sua vida. Ele vive das coisas mundanas, anda nas cobiças da carne, satisfazendo suas paixões. Ele semeia na carne e da carne há de colher. Mas o segundo, ele vive segundo o Espírito, ele é “o homem espiritual”. Ele busca no cotidiano a encher-se do poder de Deus, permitindo que o Espírito tenha espaço na sua vida, deixando ser possuído pelo Ele. Ele vive, anda, submete, semeia no Espírito e do Espírito ceifará. É essa possessão que nos chamamos de batismo do Espírito Santo. Isto é verdadeiramente o poder do Espírito Santo agindo na vida do batizado, tornando-o discípulo missionário de Cristo, capaz de testemunhar a salvação que o Senhor nos conquistou.
Olhando a Bíblia no AT, encontramos dois profetas do Senhor referindo-se ao batismo do Espírito Santo: o primeiro dele foi Isaias (44, 3-4), que diz:
• “Porque derramarei água sobre o solo sequioso, fá-la-ei correr sobre a terra árida, derramarei meu espírito sobre tua posteridade, e minha bênção sobre teus rebentos. Crescerão como a vegetação irrigada, como os álamos à beira dos arroios”.
O outro profeta é Joel, que nos fala no Capitulo (2, 28-30) o seguinte:
• “Depois disso, acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, derramarei também o meu Espírito sobre os escravos e as escravas”.
Quando olhamos o livro dos Atos dos Apóstolos no capitulo. 2,1-41, vemos como foi eficaz a pregação dos apóstolos depois do batismo no Espírito Santo em pentecostes, a partir deste dia houve eficácia na ação evangelizadora deles. Essa experiência do Pentecostes da Igreja primitiva nos indica um itinerário paradigmático que deve ser seguido por qualquer batizado que se fez discípulo missionário de Jesus Cristo. O próprio Apóstolo Pedro quando toma a palavra (At 2,14) afirma citando (Jl 3,1-5) que o Pentecostes ali acontecido era o cumprimento da Promessa escatológica do Espírito Santo (At 2,15-21). E após esse derramamento abundante do Espírito Santo, ele, Pedro, passa a anunciar com poder o “Querígma” (At 2, 22-36) sobre Jesus “Messias e “Senhor” como aquele que dá sem medida o Espírito Santo.

O Espírito que habita no batizado, que se fez discípulo missionário, quer a sua colaboração para poder irradiar o Evangelho de Jesus Cristo, e Ele só realiza isso por meio de homens cheios do Espírito Santo – homens espirituais. A evangelização do mundo requer do batizado disponibilidade a ação do Espírito Santo, isso só se cumprirá na vida do batizado, sempre que ele se esvaziar do seu “eu” com todos os seus inumeráveis periféricos, e dar lugar a Cristo em seu coração. Se assim proceder, o Espírito Santo o possuirá, e logicamente será um discípulo missionário de Cristo cheio do Espírito, conforme lemos em Atos. Se quisermos viver nosso batismo como discípulos missionários, na plenitude do poder do Espírito Santo, precisamos acertar nosso relacionamento de filhos, com nosso Deus e Pai.

Lembremos que o Deus dos dias da Igreja primitiva, o Deus dos Apóstolos é o mesmo dos dias de hoje, Ele não mudou e jamais há de mudar, portanto o que aconteceu naqueles dias poderá acontecer hoje, e a responsabilidade que eles tinham no anúncio do Evangelho, nós também temos hoje. Portanto, desperta ó tu que dorme! Acordemos para a significação da plenitude dos tempos, que tem seu objetivo tão real como na época de Jesus. Apropriemo-nos dos recursos providenciados, não somente os da tecnologia avançada, os materiais, mas também os espirituais: O poder do Espírito, sem o qual o resto significa nada. Se o Projeto de Salvação para o homem encontrar a cooperação humana - dos discípulos de Cristo – conseguiremos Evangelizar nosso povo católico para o Senhor Jesus.
Paz e Bem
Diác. Misael da Silva Cesarino