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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Natal, dia do Senhor ou do Papai Noel?

Estamos aproximando da festa do Natal do Senhor. É óbvio dizer que natal quer dizer nascimento. A festa do Natal, na liturgia católica e de algumas tradições cristã, é a memória que se faz, celebrando o dia do nascimento de Jesus Cristo, numa gruta nas proximidades de Belém, na Judéia, “porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7b).
No dia 25 de março, nove meses antes desse dia comemorativo, Igreja celebra a festa da Anunciação do anjo Gabriel à Virgem Maria, quando lhe disse: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo,” (Lc 1, 31-32). Depois do diálogo com o anjo, a Virgem aceitou a sagrada missão e disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Com o “sim” de Maria às palavras de Gabriel, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós“ (Jo 1, 14).
Diz as Escrituras que “completaram-se os dias de seu parto e ela deu à luz seu filho primogênito” (Lc 2, 6). Nesse momento celebrou-se o primeiro Natal, sem fausto, sem luxo, sem sinos, sem o famoso “noite feliz”; só existia ali a  carência de tudo, na manjedoura de animais, ao som das vozes gloriosas do primeiro hino natalino da “multidão do exército celestial” (Lc 2, 13), sob a batuta do anjo (em grego, angelos = mensageiro) entoavam: “Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina)” (Lc 2,14). Vemos a singeleza na narrativa bíblica dessa grande data do cristianismo, por parte do evangelista São Lucas, a começar pela da Encarnação do Verbo, em Nazaré e do o nascimento do divino Menino, em Belém.
Meus queridos, o Natal que a humanidade comemora nos dias de hoje tem muito pouco a ver com o nascimento de Jesus. Basta olharmos a parafernália dos dias que precedem a celebração do Natal: “pompa, luzes mil, pinheirinhos, sinos, “autos de natal”, ceias com peru, presentes, roupas novas, congraçamento de amigos e parentes, “papais noéis” barbudos com bastão e sacolas de presentes, renas, trenós, sapatos na janela... etc. Para muitos, Natal é um dia especial em que viajam para rever parentes e amigos. Para outros, Natal é promover festas, é uma oportunidade para se deixar extravasar os desejos da carne. Para uma criança, é uma data desejada e esperada com muita ansiedade para se ganhar presentes.
Do jeito como a coisa vai acontecendo, não seria de se estranhar se um dia algum político anticristão, vier a propor a substituição do dia de Natal pelo dia de Papai Noel. Não falta muito para isso acontecer. Muita gente nessa sociedade consumista já o fez, e os cristãos não estão se dando conta. O nosso presépio tradicional foi substituído pelo pinheirinho coberto de neve e por papai Noel distribuindo pacotinhos de presentes. Acredito se procuramos nas lojas, veremos que de cada cem artigos de Natal, talvez encontremos dois ou três presépios, bem mal-acabado, com bois, burros e ovelhas, às vezes reis magos com “ouro, incenso e mirra”... É uma lástima a paganização tomou conta de um dia tão divino, tão sublime, tão querido!
É triste para nós cristãos católicos comprometidos com o evangelho, ver como o Natal foi, aos poucos, perdendo sua sacralidade, sendo paganizado e futilizado pela ganância do dinheiro. Nas lojas de artigos de Natal é difícil encontrarmos presépios da tradição cristã católica, como aquele retratado tão belamente pelo “Poverello de Assis” – São Francisco de Assis, durante séculos. Este é o tipo de Natal sem sentido, sem valor, sem espiritualidade e sem aceitação divina, porque não alegra o coração de Deus.
O cristão católico consciente, por sua vez, deve ter em mente que Natal para ele tem um sentido profundamente espiritual, e não apenas um sentido humano. É uma busca constante do verdadeiro Jesus, uma constante adoração ao verdadeiro Jesus, que vive e reina para todo o sempre. É ir à igreja não por um hábito, ou por um mero costume, ou para ver alguém, mas para adorá-lo com um coração preparado, Sl 108,1. A adoração verdadeira é um dos aspectos relevantes do Natal. Ou seja, não existe Natal sem o compromisso de adorar o menino Deus - Jesus.  Portanto, Natal sem adoração ao Deus Encarnado, não é Natal.
Amados, acredito que um dos maiores presentes que podemos dar a Cristo  no Natal que vem, é a nossa vida como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional, Rm 12,1. Portanto, abramos nossos tesouros, nossos corações e apresentemos ao Senhor Jesus nossas dádivas. Ele merece!. É Natal! Ele nasceu em nossas vidas, aleluia!
Diác. Misael da Silva Cesarino
07/11/2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

... e surgiu o pecado!

... e surgiu o pecado!
Existem algumas indagações feitas pelo homem, com relação ao amor de Deus pela criação. É constante ouvir as pessoas dizer: Se Deus é verdadeiramente bom, amoroso, justo, por que existe tanta maldade, sofrimento e dor na vida humana? Por que países se debatem em guerras terríveis destruindo vidas? As famílias se destroem? Os meios de comunicação estão cheios de noticias de atos insanos e violentos de brutalidade e ódio? Por que os homens procuram mudar o comportamento natural entregando se a paixões vergonhosas? Por que as mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza? Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario? (Cf. Rm 1, 26-27). Para entender esses desatinos pecaminosos do homem precisamos voltar à situação do primeiro homem no Jardim do Éden. Aqui no livro Gêneses capítulo primeiro, vamos entender o que aconteceu no inicio e porque, desde então o homem segue a passos firmes pelo caminho da sua própria destruição.

Não podemos esquecer que Deus criou este mundo como um todo perfeito, belo e harmonioso. Nele Deus colocou também um homem perfeito, até porque tudo o que Deus faz é perfeito, em Deus só existe perfeição. E a esse homem perfeito, Ele conferiu um dom preciosismo: o dom da vida eterna. Acompanhada do dom do livre-arbítrio: a liberdade. Portanto, o primeiro homem não era um bicho macaco irracional, muito menos uma criatura vivendo nas matas como uma besta fera. Ele foi criado com todas as faculdades mentais e físicas desenvolvidas, pois a Sagrada Escritura diz que ele caminhava com Deus (Gn 3,8) e desfrutava da sua amizade. Ele estava destinado por Deus a ser como um rei na terra, governando tudo pela vontade do Criador. (Gn 2,19). Portanto, esta era a situação do primeiro homem – Adão – no jardim do Éden: o homem perfeito, o primeiro homem que carregava consigo seu inestimável, porque não dizer, terrível dom da liberdade. Ele tinha liberdade total, liberdade de escolher ou rejeitar, liberdade de obedecer às ordens de Deus ou de contrariá-las, liberdade de ser feliz ou infeliz.

O Catecismo da Igreja Católica diz no §1731 o seguinte: A liberdade é o poder, baseado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na verdade e na bondade. A liberdade alcança sua perfeição quando está ordenada para Deus, nossa bem-aventurança.” Portanto, não é a simples posse da liberdade que torna nossa vida satisfatória, mas sim, o que decidimos fazer com nossa liberdade diante de Deus e dos homens é que determina se encontraremos ou não a nossa felicidade.

O grande problema do homem reside no uso da liberdade, pois a partir do momento em que ele a recebe, ele depara com dois caminhos, visto que a liberdade não terá sentido se houver somente um caminho a seguir. A liberdade implica o direito de escolher, selecionar e determinar o curso das nossas ações. Nas nossas atividades diárias conhecemos pessoas que são honestas, não tanto por livre arbítrio, mas porque não tiveram oportunidade de ser desonestas.

Deus proporcionou ao primeiro homem o cenário perfeito para provar se ele lhe seria fiel. No Éden Adão era um homem sem pecado, seu estado era de inocência imaculada. Todo o universo criado estendia-se a sua frente. O jardim era farto em tudo que ele viesse a precisar. O homem perfeito tinha tudo para ser feliz, agora só restava ao Criador ver qual a escolha que sua criatura iria fazer. Esta seria a prova, seria o momento em que o primeiro homem lançaria mão da sua liberdade para escolher o caminho certo ou o caminho errado. Fazer a sua escolha voluntária, não porque havia só uma opção diante dele! Pois, Deus deu-lhe este preceito: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente“. O primeiro homem tinha uma opção: abster-se de comer o fruto da árvore e viver para sempre no Jardim; ou comê-lo e serem banidos para o mundo da mortalidade. Diante das possibilidades, Adão fez sua escolha e sofreu as consequências, estabelecendo com isso, um modelo doravante seguido pela humanidade. “Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram...” (Rm 5,12).

Segundo as Sagradas Escrituras, Adão foi a origem da espécie humana. Ele surgiu do seio da terra pelas mãos do Criador, como uma fonte de água pura e cristalina, recebendo a permissão de escolher se iria transformar-se em um rio que correria através de belos e férteis campos verdejantes ou em uma torrente lamacenta que chocaria para sempre contra rochas e se debateria entre penhascos profundos, escuros e frios; e infeliz em si, seria sobretudo incapaz de levar alegria e fertilidade à terra ao seu redor. Daí, que a sensatez não nos permite culpar Deus pela caótica situação de pecado em que o mundo está metido. Pois aqui a culpa é toda de Adão – o primeiro homem – a quem foi dado à escolha entre o caminho do bem e do mal, e que preferiu ouvir as mentiras de satanás em vez de ouvir as verdades de Deus. A razão da queda de Adão – o primeiro homem - foi, tão somente, em consequência da sua escolha errada, preferindo desobedecer a Deus para acreditar nas mentiras de Satanás (Gn 3,1-6). Como consequência entraram no mundo o medo, a vergonha, o ódio, a violência e a morte. Porque Adão escolheu errado... Surgiu o pecado!

A Sagrada escritura diz que pelo primeiro homem, Adão, entrou o pecado no mundo “... por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram...” (Rm 5,12), e por ser a humanidade descendente dele, todo ser humano já nasce em pecado: “Eis que nasci na culpa, minha mãe concebeu-me no pecado”. (Sl 50,7). Com essa natureza pecaminosa, o ser humano comete atos pecaminosos cada vez mais claros contra Deus e o seu próximo. E as consequências dos atos pecaminosos de Adão até os dias de hoje nos atingem. Daí ser o pecado responsável por toda miséria e condenação humana. Surgindo na espécie humana através de Adão – o primeiro homem – o pecado tem causado grandes desgraças na humanidade.

Desde o princípio dos tempos até nossos dias, a busca pecaminosa do homem pelo poder, e a sua determinação em usar o dom da liberdade com finalidade egoística, tem o levado a beira da perdição. As desgraças e ruínas em que vivem várias civilizações, são testemunho vivo da incapacidade humana de construir um mundo, onde reine a paz e felicidade almejada sem a ajuda de Deus. A cada dia, a cada instante novas situações de ruínas, de misérias são criadas, basta olhar os noticiários e, no entanto o homem continua em seu caminho perigoso. No entanto, os mesmos dois caminhos oferecidos a Adão – o primeiro homem – continuam à nossa frente. Ainda somos livres para escolher.
Paz e bem
Diác. Misael da Silva Cesarino

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A HONESTIDADE PESSOAL

A HONESTIDADE PESSOAL
Neste artigo, refletindo traz o tema da honestidade pessoal. E vamos nos fundamentar nas Sagradas escrituras, pois nela encontramos ensinamentos referentes ao caráter, conduta e procedimento do cristão para com Deus e a sociedade humana. Há na existência humana coisas essências para a sobrevivência, entre elas a alimentação, o exercício físico e mental, saúde, instrução, educação e o crescimento normal da pessoa. Sem essas coisas a vida fica tolhida no seu desenvolvimento. Mas, ainda existem coisas bem maiores, aquelas de natureza moral e espiritual, que aperfeiçoam a vivência terrena do indivíduo no cotidiano. E dentre elas escolhemos a honestidade pessoal para nossa reflexão, pois sem a honestidade, não se vive bem com o próximo, entre os homem haverá lutas, sofrimentos, desprestígios e uma sociedade fracassada.
A bíblia está cheia de verdades em torno dessa qualidade do caráter humano, especialmente para nós cristãos. Lembremos que primeira sepultura da raça humana foi inaugurada por um homem – Adão - que agiu com desonestidade contra Deus. O pecado de Adão foi um ato de desonestidade, ele faltou com a probidade e a honra devida ao seu Criador, por isso pecou e tornou-se mísero mortal. Um casal chamado Ananias e Safira, também morreram por que foram desonestos com o Projeto de Deus e com a sua comunidade. (At 5, 1-4). Deus sempre fez e faz questão que no seu projeto participe pessoas honestas, decentes, corretas, justas e sãs. Veja o caso do patriarca Abraão, foi escolhido como homem bom, foi chamado amigo de Deus (Tg 2,23), pois sempre foi honesto. O salmo 23, (24) retrata a qualidade do cidadão participante do Reino de Deus, como um homem de mãos limpas, coração puro, não é enganador, e que cumpre a palavra empenhada. São pessoas que se relacionam com Deus, buscam intimidade com Ele, buscam a presença de Deus. Lembremos que Judas se desgraçou pela desonestidade e falsidade no seu trato com Jesus e os outros discípulos.
Precisamos nesse País de homens honrados, temos bastante, mas precisamos de muito mais! Vivemos dentro de uma crise em nosso País, e ela não é outra senão uma crise de caráter, a falta de homens e mulheres de bem, pessoas decentes e honradas. Notem que nas ultima décadas com a democratização da sociedade brasileira, acontece desvios de toda ordem, verdadeiros indicadores de irresponsabilidades, má gestão financeira de municípios, Estados, Distrito Federal e da própria União, tudo isso passou a fazer parte do noticiário. Nesse contexto, o assistimos perplexos e indignados, as denúncias sobre corrupção, desvios de bens ou de verbas públicas, fraudes em processos de licitação, superfaturamento de obras ou serviços, uso eleitoreiro de obras, que, ao longo dos anos, permanecem inacabadas, publicidade oficial para promoção pessoal, clientelismo na contratação de servidores sem concurso; em síntese, uma série de práticas delituosas que objetivam o enriquecimento ilícito de alguns, à custa do erário público... Fatos que estão aí, e que precisam ser mudado, numa nação que se diz cristã. E a mudança dessas situações no País passa por nós cristãos, no trato honesto com as coisas que nos fora confiado, seja ela de grande ou pequeno porte. Por nossa condição de filhos e filhas de Deus, devemos ser bons exemplos de honestidade pessoal.
Moralmente a honestidade é uma qualidade do nosso caráter e da nossa conduta. É a prática da retidão em tudo aquilo que fazemos, com decoro, modéstia, pudor, probidade, honradez, recato, dignidade, decência; é a maneira de alguém portar-se com honra e justiça, num irrepreensível modo de viver. Quando dizemos que somos honrados é porque em nós a honestidade está por inteira, manifestando-se em nossos atos, pensamentos e intuitos verdadeiros e corretos.
Biblicamente temos muitas explicações do sentido da honestidade e do ser honesto. Um texto que nos leva a essa reflexão é o de Paulo Aos Filipenses, capítulo 4,8-9, ele nos apresenta uma boa fórmula da probidade e da honestidade para nós cristãos, dizendo: “...tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos.”... Eis aqui a honestidade em resumo. Aqui temos oito ingredientes simples, claros, que toda gente decente aprecia, eles são a essência do ser honesto.
A honestidade é resultado da nossa vida nova, pois o homem novo procura andar na justiça e retidão, que provém da verdade que o faz fugir de toda e qualquer malícia. A honestidade pessoal é efeito da nossa busca diária de santificação, pois fomos chamados por Deus para uma vida digna, mansa, humilde e boa. É ainda andar na luz, como de dia, fugindo das trevas, do erro, do mal da falsidade, da hipocrisia; eis o que é ser honesto.
A desonestidade traz tristes consequências às pessoas que as praticam, pois elas acabam sendo conhecidas dos demais, e desprezadas com evidente nojo pelos pares. Tornando aquilo que é o velho homem: “corrompido pelas concupiscências enganadoras” (Ef 4,22b). A prática da desonestidade cria em seus adeptos a irresistível inclinação criminosa para todas as fraudes, falsidades, mentiras, métodos de iludir e trapacear de todas as formas. Paulo fala sobre essa prática em Efésios 4, 23-32, advertindo o desonesto que não trabalha, o que se ira, que vive com a boca suja de palavras impuras e indignas, que vive em aliança com o diabo, que entristece o Espírito Santo, que vive trazendo aflições e azedumes aos outros, enfim, não honram o nome de filhos de Deus. Assim diz o Senhor Deus pelo profeta a estes tipos: “...não esquecerei jamais nenhum de seus atos”. (Amós 8,7). Lembremos que não fica sem julgamento e sem peso na balança do céu, nenhuma das ações desonestas do homem. Vale a pena pensar nisso agora, e evitar tão terrível condição de julgamento futuro!
Para finalizar, diremos que o cristão, como “sal da terra e luz do mundo”, (Mt, 5,13) tem dificuldade em se movimentar num mundo em que os valores morais estão invertidos. Entretanto, tem a vantagem de não adotar como referencial ético o comportamento da sociedade sem Deus. Enquanto os referenciais do mundo são perigosos, instáveis e mutantes, ao sabor do tempo e do lugar, o referencial infalível do cristão é a Palavra de Deus; ela é lâmpada para os pés e luz para o caminho (cf.Sl 119, 105). Assim, o cristão fiel a Deus não só deve fazer diferença, mas seu comportamento honesto deve ser referencial para a sociedade atual. É grande a nossa responsabilidade, perante Deus, a Igreja e o mundo.
Paz e bem!
Diac. Misael da Silva Cesarino

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A LÍNGUA

A língua.
A língua do homem pode ser um instrumento de bênção, ou poderá ser instrumento de maldição. Antes, porém o que é a língua? Bem, a língua é o órgão muscular relacionado ao sentido do paladar que fica localizado na parte ventral da boca da maior parte dos animais vertebrados e que serve para "processar" os alimentos. No corpo humano participa na formação dos fonemas da fala e é o único músculo voluntário do corpo que “não sofre fadiga”.
Tendo em vista ser ela um músculo voluntário que não sofre fadiga, não se cansa, precisamos tomar cuidado com ela, e usá-la de forma adequada. Se déssemos ao trabalho de analisar os pecados da língua no mundo, ficaríamos perplexos pelos malefícios realizados por esse pequeno órgão muscular. Quantas desgraças já provocaram a língua humana. Quantos lares já foram destruídos, quantas amizades ficaram abaladas, quantas comunidades cristãs divididas, quanta dor foi espalhada na vida das pessoas por esse órgão tão pequeno!
Alias, esse assunto sobre a língua não é novo. Ele é antigo tanto quanto a própria língua, entretanto, é oportuno, pois do uso adequado dela depende em grande parte nossa felicidade e dela também depende o crescimento do Reino de Deus na terra. Ela pode ser o que há de melhor e também o que se pode ter de pior. Ela pode ser o laço da vida social, chave das ciências, órgão da verdade e da razão, mas pode também ser a mãe de todas as mentiras, mestras de debates e contendas, a causa de todos os processos, a origem de todas as divisões, de todas as guerras e um grande veículo da miséria do coração humano. Com a língua podemos bendizer a Deus Pai, e com ela amaldiçoar os homens, feitos à semelhança de Deus. Portanto, de uma mesma boca pode proceder a bênção e a maldição.
A língua é um meio eficaz para comunicar nossas ideias, com ela transmitimos o que esta no íntimo do nosso coração. Ela é um instrumento maravilhoso, um dom excelente de Deus às suas criaturas, ela nos permite expressar sentimentos. Ela é chave da verdade e da razão, nos foi dada por Deus para que possamos viver em comunidade, trocando ideias para o bem e felicidade de todos. Precisamos tomar cuidado, pois o pecado desvirtua sua finalidade no coração do homem.
Pela minha experiência pessoal, através de observação feita nas comunidades em que tenho atuado, sinto o poder que tem a palavra amiga, a palavra boa, a palavra de simpatia e de amor fraterno. Muitas vezes encontro com pessoas necessitadas não de coisas materiais, mas sim de carinho, de acolhimento por uma palavra sábia, que seja uma demonstração de amor. E o meio que temos usado para atingir tais objetivos tem sido a língua. Aliás, diz o autor dos Provérbios: “Maçãs de ouro sobre prata gravada: tais são as palavras oportunas. (Pv. 25,11). Portanto, devemos ter cuidado para que não usemos a língua com duplo objetivo.
São Tiago nos diz: “A língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus”. (Tg 3,8-9). Temos aqui uma atitude condenável diante de Deus e dos homens, quando essa duplicidade de atitude, em determinado faz com que usemos a língua para promover o bem, e em outros para promover o mal. Olhando ainda a Carta de São Tiago, vemos que ele lança mão dos exemplos da natureza onde não se observa esse fenômeno anormal e indesejável da duplicidade de atitude: “Acaso, meus irmãos, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos? Do mesmo modo a fonte de água salobra não pode dar água doce”. (Tg 3,12).
Nós, cristãos que atuamos em comunidades eclesiais, precisamos aprender a refrear nossa língua, embora São Tiago diga que “a língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, cheia de veneno mortífero. (Tg3, 8), mas essa fala dele é aplicada para o homem carnal, pois o homem carnal por si próprio, por seu próprio poder não governará sua língua, mas o homem espiritual conseguirá com o auxilio, o poder e a graça de Deus; é isso que o Apóstolo Paulo quer dizer para nos quando diz: “Tudo posso naquele que me conforta”. (Tg 3,4), isto é, para refrear a língua devemos mergulhar na graça de Deus.
Lembremos-nos dessa máxima do livro dos Provérbios capitulo 21,23: “Quem vigia sua boca e sua língua preserva sua vida da angústia. Controlar a língua é prova de perfeição, se alguém não cair por palavra, este é um homem perfeito, capaz de refrear todo o seu corpo. (cf. Tg 3,2) O controle da língua significa domínio de si próprio. É o ideal e a perfeição da vida cristã.Quem dissimula suas faltas, não há de prosperar; quem as confessa e as detesta, obtém misericórdia.” (Pv. 28,13) Se confrontarmos nossa vida com a Palavra de Deus e perceber em nós o uso indevido da língua, temos que confessar e dizer: “Eu nunca mais vou usar palavras negativas”. O segredo da vitória sobre uma língua incontrolável está na intimidade com Deus, e, naturalmente, em desejar esta mudança.
É o Espírito Santo que santifica a língua, purifica os lábios, limpa a boca e traz convencimento do erro, nos mostrando a verdade. Portanto, quando alguém começar a dizer alguma coisa desatenta, impensada ou má, que prejudique ou fira outros, devemos dizer: “Desculpe, mas o Senhor Jesus não quer que eu continue ouvindo essas palavras. Vamos parar aqui! Vamos esquecer esse assunto e orar!”. E, se alguma vez, prejudicamos alguém com nossa língua, devemos pedir-lhe o seu perdão.

Que possamos ter um coração puro, um língua abençoada e misericordiosa, porque, só assim, veremos o Senhor!

Diác. Misael da Silva Cesarino

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ele nos perdoou!

Ele nos perdoou!

Quero refletir neste artigo sobre o ato de perdoar. Perdoar as ofensas e o amor aos inimigos constituem uma das características mais evidentes e a maior novidade da moral evangélica. Perdoar é uma das atitudes básicas da nossa fé cristã, pois, a nossa entrada na vida que Jesus Cristo nos ofereceu, só foi possível e aconteceu porque recebemos perdão incondicional do nosso Deus e Pai. Ele misericordiosamente nos perdoou, mediante a obra redentora de seu Filho unigênito realizada na cruz, em nosso favor. Na vida cristã amor e perdão deveram sempre caminhar juntos.

Uma das mais bela e confortadora definição que as sagradas escrituras nos apresentam é esta: “...Deus é amor” (Jo 4,8). E a maior prova do seu infinito amor para conosco foi o perdão de todos os nossos pecados. Porque Ele nos ama infinitamente, Ele nos perdoou. Perdoar é um atributo da personalidade de Deus.

A bíblia no ensina que perdoar é um mandamento da Palavra de Deus. Não é um sentimento, nem depende de nossa vontade ou emoção. A Palavra declara: Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo (Ef 4,32); Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. (Col 3,13).

Quando o Senhor nosso Deus nos perdoou, Ele pôs um fim à situação desastrosa e miserável em que nós nos encontrávamos, pois, estávamos condenados à morte eterna como consequência dos nossos pecados de desobediência. com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus”.  (Rm 3,23), Ele pelo santo batismo nos chamou para uma nova vida, onde o amor e o perdão sempre têm a sua máxima expressão. Ao perdoar as nossas ofensas, o relacionamento amoroso que nos unia a Ele e fora rompido pelo pecado da desobediência, foi restaurado. Diante desse ato de misericórdia e amor imerecido devemos, do mesmo modo, estender nosso perdão a todos àqueles irmãos ou irmãs que nos ofende. O perdão que recebemos de Deus deve gerar em nosso coração o desejo de perdoar incondicionalmente, tal qual com Ele fez conosco. Vemos a misericórdia divina como um atributo comunicável, ou seja, este atributo está presente na vida do cristão. Dessa forma, podemos refletir: Temos sido misericordiosos com o próximo (Ef 4,31-32)? Perdoamos porque reconhecemos que a misericórdia de Deus foi muito maior que qualquer prejuízo nosso?

Perdoar significa deixar de considerar o outro com desprezo ou ressentimento. É a gente ter compaixão, deixando de lado toda a ideia de vingar-se diante daquilo que foi feito ou pelas consequências que dele sofremos. “O rancor e a raiva são coisas detestáveis, até o pecador procura domina-las” (Eclo 27,33). Lembremos que a igreja do Senhor não é a comunidade dos que não eram, dos que não caem, mas dos pecadores que querem voltar aos braços do Pai, sem pretensão; é a comunidade dos que compreende o outro e, se este cai, o ajudam a retomar o caminho juntos.

A base para o ato de perdoar é o completo e livre perdão que recebemos do Pai. Assim como ele nos perdoou, nós perdoamos. Como filhos de Deus o perdão que expressarmos, deve ser análogo ao seu perdão – Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo. (Efésios 4,32), ensina o apóstolo. É inconcebível viver sob o perdão de Deus sem perdoar ao próximo. É inconcebível participar da assembleia eucarística, se ela é particularmente lugar de perdão.

Quando Jesus ensinou os seus discípulos a orar, ele colocou um pedido ao Pai: perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam (Mt 6,12). É esse espírito de perdão que deve permanecer em nós. Se o Pai, antecipadamente, nos perdoou, quando não éramos merecedores, em gratidão ao seu amor perdoador, nós devemos, também, perdoar aos que nos ofendem. O perdão deve ser uma característica do nosso ser e viver como cristão. Se o amor perdoador de Cristo foi sacrifical, isto é, ele se deu por nós, da mesma forma o nosso amor deve se expressar dando-nos, em amor, por aquele que nos ofendeu. Afinal, Ele nos perdoou!

Diac. Misael da Silva Cesarino

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

“... quem não nascer de novo...” (Jo,3,3)

Amados, a Sagrada escritura nos relata que para alcançar a salvação e a vida eterna, não basta ser apenas um fiel religioso e compromissado com a doutrina da igreja, não basta somente termos a Palavra do Senhor em nosso entendimento humano ou na sabedoria teológica. É preciso muito mais, é preciso abrir a porta para que o Senhor Jesus Cristo, possa entrar em nosso coração e nos fazer uma “nova criatura”, lavada e remida no sangue do Cordeiro de Deus, aquele que tira e perdoa o pecado do mundo.
Quero refletir neste artigo sobre o termo “nascer de novo”, um termo que não foi descoberto pela literatura contemporânea, portanto não é recente, na verdade este termo já ultrapassou a casa dos dois mil anos. Já no Novo Testamento, mas precisamente no Evangelho de São João no capitulo 3,3, está o relato de que certa noite escura, na cidade de Jerusalém, um homem que era mestre, doutor da Lei em Jerusalém, por certo também religioso, vai conversar com Jesus, que lhe diz: “... Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus”. Com essas palavras Jesus diz da possibilidade e da necessidade de sermos criaturas novas, necessidade de uma transformação espiritual. E desde o tempo apostólico uma multidão de homens e mulheres tem dado testemunho dessa realidade poderosa do poder transformador de Deus em suas vidas, após a experiência de uma vida nova. Isso testifica que o nosso coração de homem só pode ser mudado por Deus. É preciso, pois, que tenhamos uma renovação interior, que se dará pelo Espírito de Deus, Ele é quem nos transformará.
Amados, em nossos dias existe uma corrida frenética de homens e mulheres a todos os tipos de consultórios que se instalam nas grandes e pequenas cidades prometendo renovação interior. Muitos vão buscar esta renovação em consultórios de psiquiatras, em religiões e seitas orientais, esoterismo, ou de algum tipo de motivação transcendental, ou ainda nas drogas e álcool. Todos esses caminhos só têm levado as pessoas a um beco sem saída. Sabe por quê? Porque homens e mulheres não são capazes de renovar-se a si mesmo e nem a outrem, porque a lógica é esta: foi Deus quem nos criou e somente Ele poderá recriar-nos. Daí, meus amados, que somente Deus poderá nos dar a “vida nova” que tanto almejamos e que precisamos de forma desesperada para sermos felizes.
A grande verdade que plasma este universo criado, é que Deus nos ama, e por amar-nos nos dá este presente maravilhoso, este dom gratuito, a possibilidade de “nascer de novo”; para ter uma vida eterna, conforme narra São João: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Esse “nascer de novo” é o nosso encontro verdadeiro com a pessoa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. É o Senhor entrando em nossa vida e nos ungindo com seu Santo Espírito, para que tenhamos um jeito novo de ser e viver diante do mundo e de Deus.  Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que tudo se fez uma realidade nova” (2 Cor 5,7). Esse encontro transformador com a pessoa de Jesus que nos faz pessoas novas, é o inicio de uma grade amizade com Ele, é o inicio de um novo caminho em nossa vida, é o caminhar sobre o controle de Jesus, como diz o Apóstolo Paulo; “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” Gl 2, 20.
Essa “vida nova” permite várias transformações notáveis em nossas vidas: Teremos um mundo novo com novas e renovadas estruturas, mas com homens novos, consequentemente estruturas mais justas, mais humanas, menos opressivas. Amados, um mundo novo e uma cultura nova não se conseguiriam nunca sem homens e estruturas novas pela Salvação de Jesus e pela ação vivificadora do Espírito; a mudança de atitude, de ações e de vida exterior são consequências da mudança interior, da “vida nova” em um “homem novo”. Para muitos a fé lamentavelmente se reduz a uma religião ou religiosidade de práticas exteriores, inclusive sacramentais, para cumprir um preceito ou uma lei, ou puramente devoções, ou muitas vezes como comércio espiritual para ser aceito por Deus. Muitos vivem a religião não como expressão da fé, e sim, às vezes, como substituta da fé, tornando-a uma prática para as quais se dá valor por si mesmo, donde se tira muitas vezes a vã ilusão de dever cumprido ou uma satisfação de consciência tranquila. Tornando-se aquilo que se cumpre em um templo com ar de certo sentido mágico e supersticioso, de caráter útil ou de temor ao divino.

                Quantos, ainda, se fecham na individualidade sem interessar-se ou preocupar-se com a comunidade humana, de tal forma a fazer um mundo melhor para a instauração do amor, da Justiça e da Paz. Pessoas que vivem uma moral restritiva, um código de normas predominantemente negativas, que limitam a liberdade e que levam a uma vida na base de proibições. Em suma, vive-se uma falta de relação e comunhão pessoal com um Deus vivo. Vive-se na verdade uma religião de “legalismo farisaico” sem vida, ou uma vida triste, apagada, com alma de escravo.
Amados, uma certeza eu carrego comigo, acredito que todos devemos tê-la “sem Deus o homem está espiritualmente morto”, e precisa “nascer de novo”, ser “recriado” e isso só acontecerá pela graça de Deus, através da fé viva em nosso Senhor Jesus Cristo. Somente, quando nos renascemos para Deus, conseguimos desfrutar de todas as riquezas de Deus, que estão guardadas para nós. Lembremos que Jesus nunca disse: “compreenda somente”, mas sim, “Crê somente”.
Paz e bem!
Diác. Misael

terça-feira, 20 de setembro de 2011

COM ELE TODOS TEM VEZ...

Refletindo... Hoje, nos leva mostrar a misericórdia infinita de Deus em nosso favor.  Os evangelhos nos narram que no tempo do Jesus histórico, havia um grupo de pessoas que eram taxadas pelos religiosos da época como pecadoras. Nessa relação de pessoas pecadoras estavam os que tinham profissões pecaminosas ou impuras, como as prostitutas, os jogadores, os cobradores de impostos, pastores etc. Também eram considerados pecadores aqueles que não podiam pagar o dízimo, os que não guardavam o repouso do sábado, os que não purificavam as mãos.
Mas, Jesus disse que veio para que todos tenham vida, inclusive os pecadores. Tanto que Jesus vai ao encontro deles, recebe-os de forma afetuosa, perdoando-lhes os pecados dando-lhes a oportunidade de reintegração a comunidade. A grande missão do Senhor Jesus foi buscar e salvar o que está perdido, por isso deu prioridade aos pecadores. Ele procurou gastar grande parte do seu precioso tempo recuperando aqueles que a sociedade da sua época considerava marginalizados. Isso não entrava na cabeça daqueles que se julgavam justas, salvas e acusavam os outros de pecadores e condenados. Aqueles que achavam que por participarem de uma elite religiosa já tinham méritos diante de Deus. Esses até criticavam Jesus por conviver com gente de má fama, mas Jesus os repreende. ( Lc 7,34 ).
Para Jesus não existem pessoas salvas por direito adquiridos, privilégios ou tradições. Para Jesus todos nós: diáconos, padres, bispos e leigos, temos que esforçar e se converter para entrar pela porta estreita. (Lc 13,24) Encontramos também hoje pessoas ditas “bons religiosos” que querem marginalizar os pecadores. Tem gente que fica chocado quando na Igreja através das pastorais nós acolhemos essas pessoas e mantemos contato com elas. Já ouvi essa fala de alguns puritanos: “isso é um absurdo os amasiados estão trabalhando na igreja”. Esse tipo de cristão e também de comunidades cristãs, se acostumaram a se fechar em si mesmas. Talvez nem tanto por culpas suas, mas por um modelo de pastoral ou de instituição, que sempre estiveram orientados para os de dentro, os já “convertidos”.
A igreja, e aqui incluiu todos (pastorais, ministérios, comunidades, etc) fomos enviados, principalmente, aos renegados, aos ímpios, aos pecadores, aos não praticantes, aos afastados. Devemos ser discípulos missionários do Senhor, devemos deixar as noventa e nove ovelhas e ir buscar a ovelha perdida. (Mt 18,12) Alias, vivemos num tempo tão difícil que temos noventa e nove perdida e uma ovelha fiel, mas isso, só reforça a necessidade de ir em busca das que se perderam.
Como cristão, seja você católico ou outra denominação cristã, somos continuadores do perdão e do amor do Senhor Jesus no mundo. Não devemos somente amar, mas é necessário que o nosso irmão sinta-se amado por nós. Amor esse que se traduza em acolhimento, respeito, atenção e libertação, e isso, do jeito que o nosso irmão é. Precisamos ajudá-lo a crescer, mas sempre respeitando seu modo de ser, do jeito como Deus faz com cada um de nós. É possível que vivendo o amor e o perdão em nossas comunidades, teremos experiências vivas de fraternidade e de ambientes acolhedores onde os de fora e os de dentro gostarão de permanecer.
Precisamos ficar atentos, pois não estamos livres do costume de julgar os outros e de nos acharmos os preferidos de Deus. Muitas vezes somos tentados a nos achar melhores do que os outros, e que, os outros é que precisam converter-se. Podemos até pensar que nós os “profissionais da religião” somos superiores aos demais, e já estamos convertidos... Cuidado isso é puro engano! Com Jesus todos tem vez... É bom ficar refletindo...

Diác. Misael

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O PERDÃO LIBERTA

Quando olhamos para algumas passagens do Evangelho, percebemos que no tempo de Jesus, tinha um grupo de pessoas que era tido pela sociedade vigente como pecadores público. Essas pessoas eram as que tinham profissões pecaminosas ou impuras para o costume da época, dentre elas estavam às prostitutas, os jogadores, os famigerados cobradores de impostos, pastores, leprosos, etc. Há! Ainda eram considerados pecadores os não podiam pagar o dízimo, os que não guardavam o sábado e os que não cumpriam o ritual da purificação das mãos, etc. Bem! Pecadores sempre existiram e vão existir!

O que nos conforta nessa desconcertante situação de pecado em que a humanidade viveu e vive é a presença do Senhor Jesus em nosso meio. Jesus veio para que todos esses homens e mulheres do seu tempo, do nosso tempo e dos tempos vindouros, tenham vida em plenitude (cf. Jo 10, 10).  Jesus continua em nossos dias com a mesma atitude que tinha com os pecadores do seu tempo, Ele continua encontrando-nos, recebendo-nos afetuosamente, perdoando-nos os nossos pecados e reintegrando-nos no seio do povo de Deus.

Nosso amado Senhor veio com uma missão nobre, uma missão divina: buscar e salvar o que estava perdido (cf. Lc 19,10) e deu prioridade aos pecadores. Entre eles eu me incluo. Ele gastou grande parte do seu precioso tempo recuperando aqueles que a sociedade havia marginalizado. É muito comovente ler no Evangelho de Lucas 7,36-50, a aceitação de Jesus com relação ao gesto da pobre mulher pecadora que chegando por trás de Jesus lavou os seus pés com suas lágrimas, enxugava-os com seus cabelos, cobria-os de beijos e ungiu-os com perfumes! Essa mulher era uma pobre criatura humana pecadora como qualquer um de nós. Ou será que não temos pecados? A misericórdia infinita de Jesus não levou em conta as culpas dessa pecadora, não porque ela era vítima de uma sociedade excludente e machista, mas, sobretudo porque ela estava arrependida e buscava uma saída para sua vida sofrida e descriminada. Buscava uma saída para sua vida de pecado.

Essa atitude misericordiosa de Jesus não entrava na cabeça dos homens que se consideravam “certinhos”, dos que se intitulavam “justos”. Eles não concebiam a idéia de um homem santo conviver com gente de má fama. Alias, até hoje tem uns “certinhos” por ai, escondidos atrás de fachada de “santo”, que não aceita a atitude de misericórdia da Igreja. São pessoas que querem marginalizar os pecadores. Pessoas que ficam chocadas quando os diáconos, padres, bispos ou leigos buscam inserir esse tipo de pessoas marginalizadas, acolhendo-as no seio das nossas comunidades eclesiais.

Um dos grandes problemas das nossas comunidades eclesiais é que nos acostumamos ficar fechados em nós mesmos, em nossas pastorais, movimentos, e com isso, tudo nas em nossas instituições eclesiásticas se orientaram especificamente para os de dentro de casa. Muitos, tem se esquecido de que nós a Igreja do Senhor, somos enviados principalmente para os afastados, os renegados, aos que estão em situação de pecado. Não precisamos ter medo de usar a misericórdia para com o pecador, pois a misericórdia é divina. Ela deve ser uma atitude constante do nosso caráter cristão, do nosso discipulado missionário. Sem missão e misericórdia não se pode falar em Igreja do Senhor e muito menos em cristãos.

Penso que em nossa ação pastoral, jamais devemos nos preocupar com aquilo que outros pensam sobre nossa atitude de perdão, de acolhimento e de misericórdia para com o nosso irmão em estado de pecado, principalmente quando esse nos procura. Assim como no tempo de Jesus haverá pessoas que hoje também não aceitam o gesto de acolhimento, de perdão de pecados e de restauração da dignidade de indivíduos marginalizados. Ma isso não importa, o importante é amá-lo. Não devemos somente amar, é necessário que os irmãos e irmãs se sintam amados por nós.

Nosso amor aos irmãos e irmãs devem traduzir-se em gestos concretos de acolhimento, respeito, atenção e libertação. Devemos amar e ajudar o irmão a crescer em todos os níveis. Do jeito que ele é. Devemos querer de forma concreta sua libertação daquilo que é defeituoso e mau, lutando pela sua dignidade. Respeitando o seu jeito de ser. Não é assim que Deus faz com cada um de nós?

Eu acredito que, com atitude e a vivência concreta do amor e do perdão em nossas comunidades eclesiais ou em qualquer setor da vida humana, poderemos ter um mundo de excelência em justiça, fraternidade e solidariedade; pois o perdão liberta.

Diác. Misael

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A MENTIRA CAUSA SOFRIMENTO...

“Um certo homem chamado Ananias, de comum acordo com sua mulher Safira, vendeu um campo 2 e, combinando com ela, reteve uma parte da quantia da venda. Levando apenas a outra parte, depositou-a aos pés dos apóstolos. 3 Pedro, porém, disse: Ananias, por que tomou conta Satanás do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? 4 Acaso não o podias conservar sem vendê-lo? E depois de vendido, não podias livremente dispor dessa quantia? Por que imaginaste isso em teu coração? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus”. (At 5, 1-5)
O pecado que muitos cristãos carregam consigo é o mentir para Deus. Parece brincadeira falar isso, mas é pura verdade! Está lá no subconsciente do homem incauto, a ideia de que o fazer escondido dos homens é o mesmo que esconder de Deus. Quantos homens e mulheres agem como Ananias e Safira, se mancomunam para trair a comunhão com os outros e com Deus. Quantos deles recebem de Deus ministérios para ser uma bênção na vida dos outros, mas tornam-se pedra de tropeço, passam a enganar os outros, sua comunidade eclesial e a si mesmo. Deus não se engana. Ele vê tudo! Antes que nosso pecado seja contra pessoas, contra a igreja, pecamos é contra Deus.

Lembremos que Ele não precisa nos espionar pelo buraco da fechadura para saber o que fazemos às escondidas “... Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.” (Hb 4,13). Não existe nenhuma criatura que não esteja desnudo na Sua presença. Com Deus não existem cuidados a tomar na tentativa de ocultar nossa vida pessoal e pública. Não temos como fingir ser o que na verdade não somos. Sempre estamos desnudos na presença dele e isto é em face de: “... O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração. (ISm16, 7). Sua vigilância sobre cada um de nós é tremendamente perfeita (Sl 138,1-5).

Não há como esconder nada da presença de Deus! Se você é jovem, quando está a namorar Ele te vê! Se fores casado, quando da relação com seu cônjuge e filhos Ele te vê! Quando estás longe dos olhos dos seus irmãos, em passeio, diversão ou viagem de férias Ele te vê! Quando esta fazendo negócios ou assistindo a seu programa de TV; quando navegas na Internet, usa o SMS do celular, Ele te vê! Tudo, tudo está sendo vigiado por Deus. Essa certeza de que é impossível esconder qualquer coisa de Deus, deveria de forma poderosa influenciar toda a nossa conduta cristã, a fim de fugirmos do pecado, e abandonar esta imbecil e inútil tentativa de mentir para Deus.

Sobre os mentirosos está escrito: "Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira..." (Rm 1.25). A mentira é a culpada pela queda do homem (Adão e Eva) e causa de todos os sofrimentos e de muitas lágrimas derramada na vida das pessoas. O mentiroso tem como pai o demônio diz a Palavra: “Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (Jo 8,44) Com toda a certeza a mentira não é indicação de inteligência, não é atitude de filhos de Deus, mas um sinal característico de uma vida mundana e sem Deus.

O Apóstolo São Paulo nos exorta por sua carta Aos Efésios, para não darmos espaço ao diabo: Não deis lugar ao demônio. (Ef 4,27). E Tiago nos ensina que Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia.(1,14). Provavelmente, Ananias e Safira, os personagens do texto bíblico em que começamos essa reflexão, por certo já estavam cedendo às tentações de Satanás e permitiram que ele enchesse seus corações. Por isso, São Pedro exorta a igreja a resistir o diabo dizendo: “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. (cf. I Pd 5,8-9).

Certo dia "... Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8.31-32). Verdade é reconhecer a mentira como aquilo que ela é: um pecado que nos separa de Deus. Mas, verdade também é a gente saber que podemos confessar ao Senhor Jesus a mentira e todos os nossos outros pecados e pedir perdão, recorrendo ao Sacramento da penitencia. E se arrependermos e fizermos isso com sinceridade, e de todo coração haveremos de receber o perdão (1º Jo 1,7. 9), pois Deus não pode mentir. Pensemos nisso!
Diác. Misael

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ELEITOS PARA SERVIR...

Acredito que uns dos maiores exemplos de fidelidade ao Senhor Jesus Cristo e ao Ministério que o Senhor lhe confiou foi o Apóstolo São Pedro, que configurando ao seu mestre por tal companheirismo e compromisso com a verdade e ao evangelho, que como tal foi crucificado.

A história nos tem apontado que os homens e mulheres que melhores tem servido a Igreja do Senhor e aos Fiéis são aqueles que sempre andaram mais perto de Jesus e do Povo, que é a imagem de Cristo. A misericórdia divina tem dado para alguns homens ao longo da história do povo de Deus, um poder sagrado – na Igreja do Senhor Jesus, o Sacramento da Ordem – mas, tal poder é conferido para que se possa usá-lo como servo e não como senhor.

Temos que considerar que nós somos: diáconos, padres e bispos em virtude de um ato de devoção ao povo, que é o rebanho de nosso Senhor Jesus Cristo. E o que muito de nós possuímos, as próprias roupas (paramentos) que vestimos tudo nos foi dado pela caridade desse povo santo e sofrido. Tudo o que a Igreja possui de recursos materiais, foi edificado, pedra por pedra, tostão por tostão, com o suor dos nossos irmãos leigos e leigas, e colocados em nossas mãos para que o administremos com fidelidade, e que os orientemos e os guiemos espiritualmente em vista da vida eterna.

Foi essa rica doação do povo fiel, que na maioria dos casos nos educou até nos formarmos, diáconos, padres, bispos, enfim pastores para que pudéssemos edificá-los na fé. É esse povo humilde que se reverencia ante o nosso ministério, imagem do Cristo: servo, sacerdote e pastor divino. É para esse povo que exercemos os poderes divinos, que nos são conferidos na consagração ministerial pela imposição das mãos. Não podemos esquecer e nem negligenciar isso nunca. Portanto se em nossas ações diárias estamos servindo qualquer outra causa que não esta, seja por omissão, negligencia ou comodismo, então seremos traidores da confiança do povo e do Senhor Jesus Cristo. Que Deus nos livre desse pecado!

É necessário que oremos e muito, pedindo a Deus que mande mais pastores para a sua messe, mas que cuidem do povo como o Rebanho do Senhor Jesus, e não como um investimento que pode ser capitalizado como garantia para o futuro. Não podemos fechar os nossos olhos pra muitas coisas erradas que vemos e fazer-se de ingênuos, precisamos olhar criticamente para a falta de maturidade com que pessoas inescrupulosas com o sagrado conduzem seus ministérios, por falta de compromissos evangélicos, éticos, morais e proféticos. Por ventura não somos chamados por Deus para ser sal da terra e luz do mundo?

Foi o Senhor quem chamou para si a responsabilidade de edificar a sua IgrejaTu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja” e nos convocou, nos chamou enquanto ministros sagrados, para sermos seus parceiros na condução desta Igreja. Eu creio na fidelidade de Deus. Ele por certo terminará a boa obra que começou na sua Igreja. Acredito que ainda vamos amadurecer e nos aprimorar em fazer primeiro a vontade de Deus. Acredito que um dia seremos como o Senhor Jesus próprio proclamou ser: SERVO.

Acredito que nós devemos ser desafiados pela Palavra de Deus, com foi a Igreja de Esmirna: “Se fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2,10). Essa fidelidade se expressa nas pequenas coisas que acabam sendo básicas: a obediência a Deus, o carinho pela Igreja, o carinho e o cuidado pelo povo e a vivência da vocação para o serviço do Reino de  Deus.


Diác. Misael da Silva Cesarino

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

CATÓLICO E A POLÍTICA


Acredito ser este o tempo de começar a pensar nas eleições 2012. E acredito que temos que avaliar qual tem sido o nosso papel, enquanto católicos praticantes no processo político. Já que nas comunidades por onde passo sempre ouço das pessoas a famosa pergunta: Diácono qual deve ser a relação da Igreja com a política?
Todos nós sabemos que estamos vivendo, ou melhor, nos encontramos em um momento político particularmente difícil e decisivo, tanto em nossa cidade, como em nosso País.  Vivemos num momento de crise ética e moral na política brasileira. A corrupção existe com raízes nas estruturas públicas, no poder executivo, legislativo e judiciário, quer seja na esfera federal, estadual ou municipal. Ela está por toda parte. Todos os dias se vê a mídia cada vez mais e mais denunciando atos corruptos de deputados, prefeitos, senadores, ministros, juízes, policiais etc.
Existe um sistema de corrupção tão forte que, as faltas de cumprimentos de leis e a falta de valores humanos estão exterminando os valores éticos, morais e religiosos do povo brasileiro, fazendo com que muitas pessoas tornem-se omissas nas práticas de políticas sérias para erradicar a sem-vergonhice no País.
Diante desses desatinos é evidente que não podemos ficar alheios a esses acontecimentos, enquanto Igreja. Cabe à Igreja motivar os seus membros – católicos praticantes - a assumirem a parte da responsabilidade que lhes é devida nesse processo. O engajamento político partidário do “católico consciente”, o seu empenho esmerado pelo bem comum, pela defesa do direito e da justiça, não pode ser visto como um “pecado”, mas sim como um mandato divino. Deve ser visto a luz da vocação antropológica e cristã como uma forma de servir às pessoas e ao projeto de vida idealizado pelo Criador.
Estamos em época pré-eleitoral. Os partidos estão organizando e articulando suas campanhas envolvendo direta ou indiretamente nossas comunidades eclesiais. Queiramos ou não, somos absorvidos pelo processo. E ainda bem que está havendo da parte de muitos irmãos e irmãs leigos “católicos sérios” – não oportunistas - um despertamento com respeito à responsabilidade política partidário-participativa, muitas vezes aplaudida por uns, questionada por outros. Mas, ouso dizer a estes questionadores que qualquer tentativa de se esquivar desta tarefa nos torna culpado no grande mandamento do amor deixado por Jesus, que na ação política consciente, possui um de seus mais eficazes instrumentos de solidariedade humana, para a concretização da sociedade do amor idealizada pelo Senhor Jesus.
Como Igreja devemos nos conscientizar de que a injustiça, a corrupção, a violência e a fome em nosso País, desafiam a nossa consciência cristã católica. Como filhos da luz estamos proibidos pela consciência cristã de dicotomizar fé e política. Elas não são coisas estanques, mas instrumentos que devem traduzir-se em ação a favor das vítimas de nossa sociedade e consequentemente de uma ordem social mais justa, fraterna e igualitária.
Diác. Misael

...NÃO PODEREI FAZER DE VÓS O QUE FAZ O OLEIRO? (JR. 18,5)


Uma coisa que me faz feliz e que traz grande consolação a minha alma, é saber que Deus não desiste de trabalhar em nossa vida. Ainda que sejamos um vaso de barro que se quebra em suas mãos. Ele é um como um grande oleiro no cotidiano da nossa vida.  Ele não se entrega à difícil tarefa de nos moldar.  É um Oleiro que se preocupa mesmo quando um vaso se estraga em suas mãos. Ele não nos joga fora, mas nos molda mais uma vez e nos faz um vaso novo. Ele não desiste e nem se abdica do direito que tem de trabalhar a nossa vida. Ele nos ama, e por amar, jamais haverá de nos descartar como algo sem valor.

Esse Deus é maravilhoso, porque nos faz vasos para um determinado propósito, por isso temos sempre uma utilidade diante dele. Ele cuida de nós! Sabe por quê? Porque um vaso defeituoso, rachado ou com trincas, jamais poderá cumprir os propósitos determinados por Ele!  Um bom oleiro é sempre paciente, sempre torna a fazer do vaso estragado outro vaso novo. Assim Deus faz com a gente! Antes de usar nossa vida para algum ministério, ele trabalha a nossa vida. Deus está mais interessado em quem somos do que naquilo que somos capazes de fazer. Para Ele nosso caráter é muito mais importante do que nosso desempenho. A vida íntegra diante dele precede qualquer que seja o nosso ministério. Pois Ele antes de trabalhar através da nossa vida, ele trabalha em nós. Uma coisa que Deus não faz e jamais fará é reparar vasos velhos, pois Ele se apraz é em fazer vasos novos.

Não pensemos que a vida do cristão católico é apenas a aplicação uma camada de verniz ético nas rachaduras, nas fissuras do nosso caráter. A obra de Deus em nós não é simplesmente uma reforma da estrutura do velho homem. Mas é Deus o oleiro competente, que nos tomando como o barro nos modela e faz dele um novo vaso, um vaso de honra. Deus em Cristo faz de nós novas criaturas, assim, as coisas antigas ficam para trás e tudo se faz novo. Isto é, nascemos de novo, do alto, de cima, do Espírito Santo. Passamos a usar um novo nome, uma nova mente, um novo coração, uma nova família, uma nova Pátria.

Devemos levar em conta que Deus não nos faz um vaso segundo o nosso desejo, mas conforme sua vontade soberana. Pois segundo a lógica dos artesãos eles fazem vasos conforme suas vontades. Não é o barro que determina ao oleiro a forma e a finalidade para o qual será criado. O oleiro é e será sempre soberano sobre o barro. Ele será sempre livre para fazer do barro o vaso que deseja e para o uso que ele imaginou. O apóstolo Paulo pergunta: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?" (Rm 9.20). Não é a nossa vontade que deve prevalecer no céu, mas a vontade de Deus que deve ser feita na Terra.

Finalizo dizendo que Deus, como oleiro, mesmo sendo competente, não modela um vaso de pedra, pois esta é resiste ao ser modelada. Muito menos Deus trabalha com areia, pois esta não tem liga, não usa a lama, porque esta apenas suja as mãos do oleiro. Deus só molda vasos de barros, porque este tem liga e se submete à modelagem que o oleiro deseja e depois, esse vaso deixa ser levado ao forno. No fogo ele não é destruído, mas pelo contrário, torna-se sólido e útil. Após, trabalhado provado, esse vaso é destinado ao uso para o qual foi projetado.

É bom ficarmos refletindo... Pois fomos criados para o louvor, a honra e a glória de Deus. Portanto, devemos ser vasos preciosos, sólidos, limpos e úteis. Devemos ser vasos de honra preparados para toda boa obra e cheios do Espírito Santo de Deus. Nós por nossos próprios méritos somos vasos que têm pouco valor; porém, somos vasos que transportam um tesouro de valor inestimável. Bendito seja o Senhor nosso Deus, esse oleiro maravilhoso, que nos fez do barro e que para nos salvar entrou no barro, encarnou-se e habitou entre nós, para fazer de nós vasos de honra, úteis para toda boa obra.

Diác. Misael